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Iniciativa no Pará mostra viabilidade da pecuária responsável na Amazônia


Ao levar aos supermercados uma carne mais sustentável, TNC, Marfrig e Walmart constroem um modelo de produção que pode impulsionar a conservação no Brasil

São Paulo, 25 de maio de 2016 – A partir de junho de 2016, as famílias de Brasília terão a oportunidade de colaborar com a pecuária responsável no Brasil. Elas serão as primeiras a ter acesso, nos supermercados, a uma carne produzida sob padrões inéditos de sustentabilidade na Amazônia brasileira, como parte da iniciativa Do Campo à Mesa, uma das ações de pecuária responsável mais inovadoras do país. A chegada da carne aos consumidores – ela será identificada por um rótulo próprio, com o nome Rebanho Xingu - marca a conclusão do ciclo que o projeto vem construindo desde 2013, com o objetivo de criar um modelo replicável em maior escala na Amazônia, e que começou com a implantação de boas práticas no campo, passou pela melhoria da rastreabilidade desde a fazenda até o frigorífico e agora amplia as opções de compra responsável para o consumidor final.

Liderado por The Nature Conservancy (TNC), Marfrig e Walmart e apoiado pela Fundação Moore, entre outras organizações, o projeto Do Campo à Mesa atua em São Félix do Xingu (PA), o munícipio com o maior rebanho bovino do Brasil, com o objetivo de construir um modelo de pecuária responsável que possa ser adaptado a diferentes partes da Amazônia. Esse modelo propõe o aumento da produtividade e o maior aproveitamento de pastagens degradadas sem a necessidade de desmatamento. Outro princípio fundamental é a inclusão de toda a cadeia de valor da carne nesse esforço, de forma a garantir que o processo seja viável ambientalmente, socialmente e economicamente.

A região de São Félix do Xingu, onde o projeto se desenvolve, foi escolhida por ser essencial para a conservação da Amazônia. Uma das fronteiras agrícolas mais ativas do país, o município já foi o campeão nacional do desmatamento, em 2008, mas conseguiu reduzir em cerca de 80% seus índices anuais de perda de florestas, graças às mudanças na maneira de produzir. Segurar o desmatamento nessa região ajuda a proteger tanto as enormes reservas florestais ainda disponíveis no município – as Terras Indígenas e Unidades de Conservação de São Félix ocupam um território quase igual ao do estado do Rio de Janeiro - quanto as áreas acima dela, no mapa, para onde o desmatamento tenderia a se expandir, caso a ocupação desordenada prosperasse.

Em conjunto com o Sindicato dos Produtores Rurais de São Félix do Xingu, a TNC selecionou 16 produtores rurais para participarem de um projeto-piloto que levou informação, apoio técnico e investimento a propriedades de diferentes tamanhos e configurações. As primeiras estimativas, ainda bem conservadoras, apontam para um aumento de produtividade de 54% nas propriedades participantes, a partir da adoção de técnicas relativamente simples, como a rotação de pastos – uma espécie de rodízio entre as áreas de pastagem, para que o solo possa descansar e produzir mais alimento para o gado. O aumento dos ganhos nas áreas que já servem de pasto possibilita que o produtor viva melhor sem precisar derrubar novas áreas de floresta para ampliar sua renda. Além disso, também com o apoio da TNC, os produtores implantaram práticas de Bem Estar Animal e de  cumprimento integral do Código Florestal, que prevê a conservação e a restauração de florestas em propriedades privadas.

“A Amazônia é crucial para a vida na Terra e a pecuária desordenada é a principal causa de seu desmatamento. A questão é que para conservar a mata em pé, o produtor precisa de informação sobre a importância da floresta, de incentivo financeiro e de apoio técnico para a sua conservação. Quando ele conta com isso, torna-se o maior interessado em cumprir a legislação ambiental”, afirma Francisco Fonseca, coordenador de Produção Sustentável da TNC.

Outra preocupação do projeto foi melhorar a rastreabilidade dos animais, de forma que Marfrig e Walmart pudessem ter certeza de que a carne fornecida a eles veio de um gado criado em propriedades que não tiveram a floresta desmatada. Para isso, as empresas compartilharam dados quanto aos produtores com quem trabalham, implantaram “brincos” com chips nos animais das propriedades fornecedoras e aperfeiçoaram o cruzamento desses dados com os do Cadastro Ambiental Rural (CAR), que em São Félix abrange mais de 80% das propriedades, graças a projetos prévios da TNC, dos governos locais e de seus parceiros para expandir o sistema. Essas medidas estão ajudando a resolver um gargalo clássico da pecuária responsável na Amazônia: o fato de que a propriedade que fornece a carne ao frigorífico, e que normalmente é monitorada, compra esse gado, quando ele ainda é jovem, de uma propriedade menor, que não é monitorada. A expectativa é que uma proporção cada vez maior da carne comercializada pelas empresas sob o selo Rebanho Xingu venha de um gado rastreado desde seu nascimento, até chegar a 100%.

“Além de reforçar o pioneirismo das ações de sustentabilidade da Marfrig, o trabalho com a TNC e o Walmart inaugura uma nova etapa no processo de rastreamento de nosso rebanho”, diz o gerente de sustentabilidade da Marfrig, Mathias Almeida. “Somos a única empresa de proteína bovina do Brasil com 100% do fornecimento na Amazônia com mapas georreferenciados das propriedades. Com a ampliação do monitoramento proposto pelo programa Do Campo à Mesa teremos maior controle sobre toda a cadeia, desde a fase de cria dos animais,  garantindo ainda mais transparência aos consumidores”, afirma.

Fechando o ciclo de produção, o Walmart comercializará a carne Rebanho Xingu em  lojas do Distrito Federal. A previsão é expandir a oferta do produto, aos poucos, para outras regiões do país.

"Ficamos muito satisfeitos em participar deste projeto ao lado da TNC e Marfrig, a partir do qual podemos comercializar um produto diferenciado e estimular o consumo consciente junto aos nossos clientes e, ao mesmo tempo, o desenvolvimento da cadeia produtiva", diz Luiz Herrisson, diretor de Sustentabilidade do Walmart Brasil.

Concluído o ciclo inicial, que previa a construção de uma cadeia completa de produção sem desmatamento, a iniciativa Do Campo à Mesa deve avançar no sentido de se tornar um modelo replicável de crescimento econômico responsável para regiões da Amazônia onde a pecuária é uma atividade importante para a sobrevivência da população. Em São Félix do Xingu, os produtores participantes da iniciativa já se organizaram em uma associação que trabalha para a adesão de novos integrantes e que contribuirá para a difusão da pecuária responsável. Com o apoio dos moradores da região, a iniciativa se concentrará em ampliar o número de propriedades-piloto participantes e envolver mais organizações e empresas, para dar escala ao modelo.



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