Menu Interno


Marfrig compra unidade de congelados da Arcor na Argentina.


Por US$ 3,465 milhões, a Quickfood, subsidiária da Marfrig na Argentina, comprou a La Campagnola
Enquanto a JBS anuncia intenção de reduzir a exposição de seus ativos na Argentina, sua principal competidora no país, a Marfrig, adquiriu mais uma fábrica do vizinho. Por US$ 3,465 milhões, a Quickfood, subsidiária da Marfrig na Argentina, comprou La Campagnola, a unidade de legumes e vegetais congelados da Arcor, maior produtora mundial de balas. O negócio, embora pequeno, é estratégico porque engrossa as operações no mercado doméstico e as vendas externas de um segmento que não sofre com barreiras do governo.

Em um momento de crise para o setor de carne na Argentina, provocado pelas fortes restrições oficiais às exportações e à menor oferta de animais para o abate, a Quickfood tem mantido a aposta, nos últimos anos, no consumo interno diversificado. Tanto que já vinha comercializando verduras e legumes congelados produzidos por esta unidade adquirida, que possui uma capacidade para processar oito mil toneladas/ano de cenoura, acelga, espinafre, brócolis, ervilha, batata inglesa, vagem, milho e outros alimentos mais elaborados, como sopas e saladas mistas.

"A aquisição da fábrica vai nos permitir ter um crescimento importante nesta linha de negócios no mercado interno, e queremos aproveitar os canais de exportação já abertos por outros produtos que exportamos e ampliar nossas vendas externas", detalhou à Agência Estado o diretor de Assuntos Públicos e Relações com o Mercado da Quickfood, Miguel Gorelick. Ele disse que um dos compradores desses produtos no Brasil é o próprio grupo Marfrig e que "há possibilidades de exportá-los também para EUA e Europa".

Os alimentos congelados fabricados pela unidade transferida já são exportados para outros países limítrofes, como Paraguai, Chile e Uruguai, onde é forte a presença da marca de hambúrguer Paty, carro-chefe da Quickfood, dona de 65% do mercado argentino de hambúrguer. Há menos de dois anos, quando a presidente Cristina Kirchner decidiu apertar ainda mais o cinto das restrições às exportações de carne bovina, a Quickfood redobrou a aposta no mercado interno e lançou uma versão Premium da popular Paty.

Segundo cálculos de fontes do mercado, até 2006, quando o controle oficial foi adotado, 50% das operações da Quickfood eram voltadas para as exportações e o restante para o consumo interno. Nos últimos anos, essa proporção passou para 30% e 70%, respectivamente. Contudo, "é preciso ressaltar que toda a indústria tem passado por essa mudança na composição de suas operações devido às exigências oficiais", comentou uma das fontes ouvidas. "Hoje, a participação dos frigoríficos no mercado interno é superior à marca histórica de todos eles", destacou. A compra da nova unidade é parte da estratégia da Quickfood de aumentar sua participação no segmento de alimentos elaborados, que possibilita ampliar espaço dentro e fora do país.

Segundo a nota enviada à Bolsa de Buenos Aires na noite da última terça-feira, a Quickfood pagou US$ 715 mil no ato da compra de La Campagnola e o restante será financiado em três anos. A unidade transferida possui 100 operários e está localizada no município de Arroyo Seco, província de Santa Fé, berço da Arcor, principal exportadora de guloseimas do Mercosul. A Quickfood, uma das maiores empresas de abate, elaboração e comercialização de carne bovina e suína da Argentina, foi vendida à Marfrig em 2007. O grupo brasileiro possui 81,48% das ações da Quickfood e controla ainda os frigoríficos AB&P, Estancias del Sur e Best Beef.

(Portal Campo News)


Voltar