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Acrimat critica decisão de frigoríficos de suspender fornecedores.


Anunciado no final de julho, o cerco aos pecuaristas que atuam com alguma irregularidade - social ou ambiental - na Amazônia tende a se intensificar ainda mais, até mesmo porque seguindo um acordo firmado com o Ministério Público do Pará, o Marfrig afirmou que, a partir de 13 de novembro, só comprará gado de quem tiver o Cadastro Ambiental Rural (CAR) regularizado.

Em nota, o grupo informou que suspendeu o forne¬cimento de gado de 170 fazendas situadas no Mato Grosso, Rondônia, Pará e Acre, e que ficam a pelo menos Ikm de novos pontos de desmatamento. "Com isso, garantimos 100% de controle sobre a carne abatida no Bioma Amazônico", afirma o diretor de Sustentabilidade do Grupo, Ocimar Villela, cuja produção na região res¬ponde por 7% do total da companhia.
Já o superintendente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luciano Vacari, alega que o posicionamento dos frigoríficos Marfrig, JBS/Bettin e Minerva coloca toda a atividade na vala-comum. "Quem não está condenado legalmente não pode so¬frer este tipo de sanção". Ele alerta para o perigo de que empresas se tornem polícia e juiz e condenem produtores inocentes. "Se eles suspenderem a relação com proprietários julgados e condenados em última instância, tutio bem. Mas caso contrário, corre-se o risco de julgar sem ter provas das irregularidades".

Villela explica que as 170 propriedades suspensas, sendo 7 mato-grossenses, não estão definitivamente extintas do rol de vendedores. Segundo ele, a partir de agora, representantes do Marfrig vão percorrer as propriedades junto com entidades responsáveis pelo monitoramento e controle ambiental dos Estados para checar as irregularidades.

"Fizemos uma análise a partir de mapas, cruzando os dados das propriedades com os de áreas de des¬matamento, de Unidade de Conservação e Terras Indí¬genas. Agora temos que nos certificar se há ou não irregularidades". O diretor aponta que os proprietários serão informados da suspensão e que, se autorizado pelos mesmos, as fazendas serão vistoriadas.

Ele confirma, ainda, que a atitude do frigorífico é resultado de pressões comerciais, principalmente estrangeira, e de entidades que defendem a preservação ambiental. "Não fizemos isso em decorrência do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que assinamos com o Ministério Público Federal de Mato Grosso, até porque o TAC se refere ao Cadastro Rural (CAR). Fizemos isso para não sermos enquadrados em listas de empresas ambientalmente incorretas".

(Revista Frigorifico/SP)


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