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Bioma Amazônico: frigoríficos suspendem compras de 221 fazendas.


Os três maiores frigoríficos do Brasil (JBS/Bertin, Marfrig e Minerva) anunciaram que deixaram de comprar bovinos de 221 fazendas localizadas dentro de terras indígenas, unidades de conservação ou próximas a áreas recém-desmatadas no bioma Amazônia.

A ação é resultado do compromisso assinado pelos frigoríficos com o Greenpeace e o Ministério Público Federal do Pará e do Mato Grosso, em outubro passado, de cadastrar e mapear as fazendas de seus fornecedores diretos. Dessa forma, os frigoríficos estariam aptos a não comprar mais animais oriundos de áreas de proteção ou recém-desmatadas.

Conforme informações prestadas pelos três frigoríficos à organização ambientalista, além das propriedades embargadas há, ainda, outras 1.787 que estão em estado de "verificação". Isso porque elas estão localizadas em um raio de até 10km de áreas desmatadas ou protegidas por lei. As empresas declararam também ter o ponto georreferenciado de mais de 12.500 fazendas, número que, segundo elas, representa 100% da cadeia de fornecedores diretos da região.

"Desde a assinatura do acordo passamos a trabalhar mais fortemente em sustentabilidade. E fazemos isso porque a sociedade quer. Nós temos de nos adaptar à nova realidade", explicou o presidente da Divisão de Carnes Mercosul do JBS, Marco Bortolon. Segundo ele, a empresa investiu no mapeamento de pelo menos um ponto georreferenciado de todas as 9.813 propriedades que fornecem gado bovino ao grupo na Amazônia. Ao todo, 31 fazendas - localizadas em áreas protegidas nos Estados de Rondônia, Acre, Pará e Mato Grosso - tiveram o fornecimento interrompido, o que representa um volume inexpressivo de carne para o JBS.

Satélite - Para realizar a gestão sustentável da compra de gado, o JBS implantou um sistema de rastreamento de carga tipo GPS/GPRS em 170 caminhões boiadeiros que atuam nos quatro Estados (MT, RO, PA e AC). Ao todo, foram comprados 300 aparelhos GPS. Coletadas no momento do embarque do gado, as informações são inseridas no banco de dados do JBS e enviadas para a empresa especializada na implantação e operação de Programa de Monitoramento do Bioma Amazônico de companhia.

Os dados das propriedades, área produtiva, localização e coordenadas geográficas do curral de embarque são analisados frente à base cartográfica montada cor imagens de satélite, mapas de unidades de conservação federais, estaduais e municipais, terras indígenas e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Segundo o Greenpeace, JBS, Marfrig e Minerva responderam por 36% do abate na Amazônia, em 2009. "O restante vem de pequenos, médios e grandes frigoríficos que até agora não assumiram compromisso com o desmatamento zero e vendem seus produtos para o consumidor de supermercados que não limparam suas prateleiras de passivos ambientais e sociais", diz a ONG. 

(Revista Frigorifico/SP)



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