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Laço forte com Santa Catarina.


Os corações de milhares de torcedores de Seara, no Oeste de SC, bateram mais forte do que os da média dos brasileiros durante a Copa do Mundo. A emoção foi mais intensa para Artêmio e Antônia Paludo, que hoje vivem em Florianópolis. Eles foram um dos casais fundadores da marca Seara, criada na cidade de mesmo nome em 18 de novembro de 1956.

Afinal, a maior realização de um empreendedor é ver a continuidade da empresa que desenvolveu, e quando ela ganha projeção mundial é um resultado além da imaginação. Mas além da imaginação foram, também, os desafios enfrentados nas primeiras décadas da companhia fundada pelos irmãos Aurélio e Artêmio Paludo, mais Teodoro Barbieri, com um investimento inicial de 15 milhões de cruzeiros.

Em 1980, 25 anos depois, a Seara foi vendida para a Ceval, que pertencia à Cia Hering, porque seus sócios não tinham recursos para abrir o capital da empresa na Bovespa. Mais tarde, em 1997, foi vendida para a multinacional Bunge. Em setembro de 2004, a empresa trocou de mãos outra vez, sendo vendida para a americana Cargill por US$ 130 milhões (R$ 230 milhões em valores atuais). E em 14 de setembro do ano passado, a Seara ganhou novo dono: foi adquirida pela Marfrig.

A ideia de fundar um frigorífico para gerar mais emprego e renda no município de 2 mil habitantes surgiu quando seu primeiro prefeito, Aurélio Paludo, foi pedir ajuda ao presidente Juscelino Kubitschek, em 1956. Conforme seu irmão, Artêmio Paludo, da conversa surgiu a proposta do frigorífico. Paludo foi aconselhado a pedir ajuda para o fundador da Sadia, Attílio Fontana. Este, temendo a concorrência, sugeriu Cascavel, no Paraná. Mas se a intenção era desenvolver Seara, a empresa deveria ser no município.

Os irmãos Paludo já tinham, na cidade, um moinho de trigo e uma loja de secos e molhados. Para fundar o frigorífico, preferiram o modelo de SA ao de cooperativa e convenceram quase 220 agricultores a se tornarem sócios do projeto. Com a constituição da companhia, os agricultores iniciaram a produção de suínos e a construção do frigorífico, que iniciou operações em 24 de junho de 1959, com 50 empregados e o abate de 54 animais.

Mesmo sem a infraestrutura ideal, a Seara seguiu avançando em novos mercados. Em 1975, iniciou exportações para o Kuwait. O navio vinha da Europa até o Porto de Itajaí e levava os produtos da Seara, Sadia e Perdigão. Quando chovia muito, seus empregados tinham que fazer malabarismos para transportar as cargas. Como a ligação com Concórdia, sem asfalto, tinha uma ponte baixa que ficava coberta com água quando chovia muito, eles precisavam atravessar uma estreita ponte pênsil com caixas nas costas para levar até o outro lado do rio. A estrada só foi asfaltada em 1979.

O sucesso resultou do forte envolvimento comunitário. Até ser vendida, a empresa nunca tinha enfrentado uma reclamação trabalhista. Enquanto Artêmio, junto aos outros diretores, administrava a empresa, sua esposa, Antoninha, trabalhava em ações sociais.

E por que vender a Seara? Os quatro irmãos tinham mais de 50% do capital. Como as companhias do setor estavam abrindo capital na Bovespa, eles tentaram o mesmo, mas não tinham dinheiro para atender as exigêncais do Banco Central. Outra coisa que pesou, segundo o empresário, foi a dúvida sobre a sucessão da empresa. Havia o temor de que os filhos dos fundadores tivessem dificuldades em dar continuidade ao negócio. Artêmio avalia que a decisão foi correta. Hoje, Seara tem quase 18 mil habitantes e a empresa continua sendo a maior da região.

"Não foi fácil começar. Não tínhamos luz, telefone e estradas asfaltadas. A energia chegou em 1962, com a construção da usina de Faxinal dos Guedes, mas não era uma oferta contínua. Caía muito. O telefone chegou em 1976 e o asfalto em 1979."

(Jornal Catarinense)

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