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Aquisições de frigoríficos têm apoio do BNDES.


Em recente debate promovido pelo Instituto Fernand Braudel, os financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para as empresas do setor frigorífico tornaram-se tema de discussão e sugestão de estudo a ser desenvolvido.

Há estimativa de que o banco já tenha desembolsado R$ 16 bilhões com o setor - R$ 6 bilhões em empréstimos e R$ 10 bilhões na aquisição de participação acionária. Outros R$ 2,5 bilhões teriam sido prometidos à Marfrig, para fiifanciar mais uma recente aquisição, a da americana Keystone Foods, fornecedora, entre outros, da rede McDonalds. Além da Marfrig, boa parte desse dinheiro também foi aplicada na JBS com o mesmo objetivo de financiar a estratégia de comprar concorrentes no Brasil e no exterior.

"Trata-se de um caso de sucesso, mas acho até que essa aposta nos frigoríficos para fazer deles gigantes mundiais merece ser estudada de perto e ninguém fez isso ainda", comentou Mansueto Almeida, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Neste sentido, o economista destacou que a concentração de mercado e a formação de grandes empresas nacionais no setor pode até ser positiva, mas precisa ser explicada pelo BNDES.

Segundo Almeida, apenas uma maior concentração do mercado não implicaria na eliminação das barreiras comerciais nem tão pouco na melhoria da condição sanitária ou da modernização da infraestrutura logística do setor.

Marcelo Trindade Miterhof, economista do BNDES, pontuou durante o debate que a instituição dá preferência a auxiliar o desenvolvimento da estrutura industrial brasileira tal como se apresenta atualmente. A opção não seria pela entrada em novos setores, por exemplo.

Os empresários, por sua vez, defendem-se dizendo que não há protecionismo na política adotada pelo banco estatal. "O BNDES nunca me ajudou em nada. Fomos nós que compra-mos a Swift, então nós é que tínhamos que receber recursos. O BNDES representa menos de 20% do financiamento do JBS", diz Joesley Batista, presidente da empresa.

Outro ponto questionado em relação às ações do banco está ligado à clareza diante da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), que fala em consolidar o Brasil como o maior exportador mundial de proteína animal e fa¬zer do complexo de carnes o principal setor exportador do agronegócio brasileiro, mas não fala sobre concentração do setor.

(Jornal Brasil Econômico)



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