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Incorporações gigantes trazem também desafios operacionais


Coincidência ou não, os dois principais recalls de produtos do grupo JBS ocorreram com itens fabricados em unidades adquiridas pelo grupo, e não originais da empresa. O primeiro foi a contaminação de carne do Swift nos Estados Unidos com a bactéria E coli, que pode ser fatal, em 2009. O segundo aconteceu em maio, com carne enlatada no Brasil pelo recém adquirido Bertin, por presença de vermífugo acima do limite permitido nos Estados Unidos.

Para a companhia, trata-se de uma coincidência. Mas tendo ou não relação com o fato de as empresas estarem mudando de mãos, os incidentes demonstram os riscos e desafios relacionados ao processo de incorporação de grandes companhias.

Esses processos viraram rotineiros na indústria de carnes brasileira. "Quando a Perdigão adquiria uma empresa, no dia D chegava à fábrica comprada uma equipe para supervisionar tudo, mas é impossível fazer isso na escala das atuais aquisições" , diz o consultor Osler Desouzart, que acompanhou a compra de unidades como diretor da Perdigão.

O risco é haver um vácuo de poder nas dezenas de unidades adquiridas que possa causar um descontrole localizado. "Os problemas se resolvem com controles, e posso garantir que os controles em nossas empresas são bem melhores hoje do que quando as adquirimos", diz o diretor de Relações com Investidores do JBS, Jeremiah O'Callaghan.

Desde 2008, já na gestão do JBS, diversas fábricas da Swift nos Estados Unidos envolveram-se em acidentes ambientais, como dois vazamentos de amônia, gás tóxico que levou funcionários ao hospital. No último mês de junho, o frigorífico fechou um acordo para pagar US$ 8 milhões em multas e em uma reforma da unidade da Swift na Pensilvânia por conta de três incidentes que causaram a morte de milhões de peixes entre 2007 e 2008.

No caso do Marfrig, que comprou empresas principalmente no Cone Sul e na Europa e que agora deve concluir a aquisição da americana Keystone Foods, a estratégia é analisar o perfil da gestão da companhia adquirida. "Nosso processo de seleção de oportunidades sempre leva em conta a qualidade dos ativos e do time de gestão, e esse é o grande motivo do sucesso dessa estratégia", afirma do diretor de Relações com Investidores do Marfrig, Ricardo Florence.

Vulnerabilidade
Ganhando tamanho e projeção internacional, os frigoríficos também obtêm maior visibilidade, o que amplia os riscos no caso de uma exposição negativa. "Um incidente, estatisticamente, não pode ser considerado inabitual em empresas desse porte", diz Desouzart. Para ele, eventuais pontos de fragilidade não superam as inúmeras vantagens da consolidação em um setor com "margens e preços decrescentes".

O desafio dessas novas empresas globais, na avaliação do especialista, é "se tornar local e absorver dezenas de filosofias e valores distintos sem criar um Frankenstein". A cultura, aliás, pode pesar até mais em uma fusão de rivais como Sadia-Perdigão, ainda que ambas sejam do mesmo país.

(Jornal Brasil Econômico/SP)



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