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Sanções dificultam vendas ao Irã.


O fluxo de pagamento, que normalmente era de dois dias, em alguns casos já leva mais de uma semana
As sanções impostas ao Irã no mês passado pela União Europeia começam a criar dificuldades para exportadores brasileiros que fazem negócios com o país. Para acatar as sanções, os bancos europeus passaram a restringir operações de confirmação de cartas de crédito aos fornecedores do Irã. O serviço é essencial e serve como garantia de que as vendas serão pagas.

O setor mais prejudicado é o de carne bovina. O Irã se transformou em um dos principais mercados para o produto, rivalizando com o maior e mais tradicional cliente, a Rússia. Entre janeiro e julho, os iranianos compraram 117,5 mil toneladas de carne brasileira, volume 264% maior que as 32,3 mil toneladas do mesmo período do ano passado. As exportações totais para o país em 2009 foram de US$ 1,21 bilhão.

"Há, de fato, dificuldades de se confirmar cartas de crédito para o Irã. Depois das sanções, os bancos europeus não estão fazendo mais essa confirmação", diz Roberto Giannetti da Fonseca, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec). "Bancos de Dubai, por exemplo, passaram a fazer essas operações".

O frigorífico Minerva envia na próxima semana um representante ao Irã e a países do mundo árabe - entre eles os Emirados Árabes Unidos - para discutir eventuais operações de garantia com bancos da região. Outra grande empresa do setor já estaria operando com um banco do Oriente Médio.

Sob a condição de não ter seus nomes divulgados, três profissionais do setor relataram alguns embaraços que as restrições criaram aos exportadores de carne nos últimos dias. O fluxo de pagamento, que normalmente era de dois dias, em alguns casos já leva mais de uma semana. Como os contratos com o Irã são grandes, essa diferença seria suficiente para provocar impacto nas fábricas destinadas a atender o mercado iraniano. A carne que segue para o país precisa ser produzida a partir de um abate que obedeça às leis islâmicas.

Outro executivo do setor disse que, desde as sanções, as operações de pagamento estão engavetadas e que, apesar da demanda iraniana, alguns contratos foram adiados. As preocupações aumentam porque as sanções estão chegando a um ponto que podem atrapalhar o desempenho das indústrias que dependem da exportação. O Irã compra muito, paga bem e representa hoje uma demanda segura para todo o setor. A Rússia não tem um fluxo regular de pedidos.

O aumento das exportações de carne para o Irã é visto como resultado direto da aproximação do governo Lula com o presidente Mahmoud Ahmadinejad, criticado pelos Estados Unidos, Europa e ONU por seu programa nuclear, que teria como objetivo a construção de bombas atômicas.

(Jornal Valor Econômico)

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