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Pecuaristas estudam boicote.


Pecuaristas mato-grossenses ameaçam fazer retaliação aos dois principais frigoríficos do Estado e do país, Marfrig e JBS/Friboi, que detêm juntos 64% da capacidade real de abate regional. A Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) estuda medidas legais contra os grupos. Segundo a entidade, as empresas estariam acusando, sem provas, alguns criadores de produzirem gado de forma irregular em propriedades dentro da Amazônia Legal.

O JBS e o Marfrig teriam exigido ainda dos pecuaristas documentos comprobatórios de produção sustentável - georreferenciamento, matrícula de propriedade e inspeção por técnicos dos dois grupos frigoríficos. Em resposta, a Acrimat encaminhou às empresas uma Carta Aberta, ontem (05).

Diante da negativa em comprar gado dos pecuaristas que não se submeterem às novas exigências, o setor produtivo cogita boicotar as vendas aos dois grupos frigoríficos, segundo o superintendente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luciano Vaccari. "Assim como eles decidem de quem comprar, decidimos para quem vender".

O superintendente da entidade afirma que os pecuaristas mato-grossenses não são contrários à produção sustentável, sem ocupação de novas áreas desmatadas, unidades de conservação ou terras indígenas, mas que as cobranças pleiteadas pelos empresários já foi feita pelo governo do Estado, por meio do programa MT Legal. O prazo para adesão ao programa se expira em 13 de novembro, mas a prorrogação por mais um ano não foi descartada pelo governo do Estado, que estuda a possibilidade. "Muita gente ainda não optou pelo MT Legal por que está para ser votado o Código Florestal, que pode ser melhor para o setor produtivo", avalia Vacari.

Ele acrescenta que o departamento jurídico da Associação estuda medidas legais contra os frigoríficos JBS/Friboi e Marfrig, pelo constrangimento aos pecuaristas. No documento enviado aos diretores dos dois grupos, os associados da Acrimat afirmam repudiar qualquer possibilidade de formação de cartel, como mecanismo de manipulação comercial com os pecuaristas e em prejuízo aos consumidores.

OUTRO LADO
O grupo Marfrig confirmou ontem o recebimento do documento e se posicionou: "com referência à Carta Aberta da Acrimat datada de 05 de agosto de 2010, a Marfrig Alimentos S.A. esclarece que tem o compromisso com a sustentabilidade e com a preservação do meio ambiente e, para tanto, reserva-se ao direito de adquirir matéria-prima de fornecedores alinhados com esse compromisso...", diz o início da carta.
A direção do JBS/Friboi, por sua vez, também afirmou por meio de nota que "possui um controle na aquisição de gado, elaborado de acordo com as legislações sócio-ambientais vigentes e reforça seu apoio ao desenvolvimento da pecuária sustentável do país, por meio de iniciativas e programas voltados a disseminação das Boas Praticas Agropecuárias". Por entender que a sustentabilidade é um valor fundamental, incorporou os conceitos de responsabilidade social, respeito ao meio ambiente, conduta ética e cumprimento da legislação.
Marfrig e JBS/Friboi juntos mantêm 13 plantas frigoríficas no Estado, do total de 40 existentes, autorizadas pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF).

(Folha do Estado - MT)



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