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Acrimat repudia frigoríficos.


Os pecuaristas de Mato Grosso enviaram, por meio da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), aos frigoríficos Marfrig e JBS/Friboi uma carta de repúdio à atitude deste dois grupos de cancelar as relações comerciais com propriedades localizadas em regiões com problemas ambientais. A Acrimat ameaça boicotar as comercializações alegando que as empresas não têm autoridade para fiscalizar e julgar as propriedades de Mato Grosso. Até o momento, apenas o Marfrig confirmou a suspensão da relação com 9 fornecedores depois de detectar problemas.

Em carta, a Acrimat enfatiza que antes do prazo final para o cadastramento no Programa de Regularização Ambiental de Mato Grosso (MT Legal), estipulado anteriormente para 13 de novembro de 2010 e por enquanto sem data devido a uma prorrogação, nenhum produtor está passivo de sofrer sanções legais. Sendo assim, afirma a Acrimat, as empresas estão assumindo prerrogativas de órgãos públicos, o que não são.

Desde que iniciaram o processo de monitoramento das propriedades, os frigoríficos identificaram as áreas desmatadas recentemente, em áreas de reserva ou em terras indígenas e cancelaram as compras. Os proprietários, de acordo com o superintendente da Acrimat, Luciano Vacari, receberam uma carta pedindo para que os mesmos comprovem regularidade ambiental e autorizem a fiscalização da fazenda por técnicos das empresas. "Isso é um absurdo, primeiro porque eles não têm o direito de monitorar, muito menos de cobrar que comprovemos a legalidade. Não somos a favor de quem produz fora da legalidade, mas não cabe a eles esta cobrança". O diretor de Sustentabilidade do Marfrig, Ocimar Vilella, diz que até a tarde desta quinta-feira (5), a empresa não tinha recebido oficialmente a carta, e argumenta que as ações do Marfrig são de caráter estritamente comercial. "O mercado externo e interno nos cobram isso. Se comercializarmos carnes de propriedades ilegais eles suspendem as compras. Estamos apenas tomando as atitudes cabíveis para impedir isso". Ainda segundo Vilella, a iniciativa dos produtores é compreensível, mas que isso não está na mão da empresa, mas do mercado. "Até os bancos cobram regularidade ambiental para conceder empréstimos".

O JBS/Friboi foi procurado, via assessoria de imprensa, mas não retornou. O procurador Mário Lúcio Avelar também foi procurado, uma vez que é autor de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado pelos frigoríficos este ano, mas não foi localizado.

(A Gazeta - MT)

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