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Balanços positivos puxam ações de frigorífico na bolsa.


Os grandes grupos frigoríficos brasileiros com ações listadas na BM&FBovespa guardam perspectivas de retornos atraentes nos próximos anos. Os analistas recomendam compra dos papéis de JBS, Marfrig e Minerva. Embora os dois primeiros tenham sofrido com certo ceticismo do mercado diante da campanha de compras de empresas, os fundamentos que amparam o cenário macroeconômico para o setor são favoráveis. A expectativa é que os números referentes ao segundo trimestre já melhorem a percepção do mercado.

Dados os menores preços de commodities e, portanto, custos inferiores com matérias-primas e o período de entressafra do boi, "o intervalo de abril a junho deve ter sido melhor em termos de vendas, com avanço nos níveis de margens operacionais", prevê Rafael Cintra, analista da corretora Link Investimentos. Ele recomenda, inclusive, um olhar no comportamento do endividamento. "Como eles fazem as contas nos últimos 12 meses, já poderemos começar a ver uma melhora pequena na alavancagem".

Quem sabe um gatilho para uma trajetória mais firme no mercado. Pesou sobre as ações do JBS, o balanço levemente abaixo do esperado da empresa de aves Pilgrim's Pride adquirida ao final de 2009. No caso do Marfrig, após a aquisição da Seara (Marfrig), houve a compra da Keystone Foods, que têm serviços de distribuição para o McDonal'ds nos Estados Unidos, França, Tailândia, Malásia, Austrália e Coréia, por US$ 1,26 bilhão. Todas as atenções recaem sobre o processo de integração das unidades.

"O crescimento dessas empresas não virá agora só pelo efeito escala, mas pela lucratividade. Precisamos entender bem se todos esses ganhos de escala vão se traduzir em eficiência do negócio", comenta Júlio Barcellos, professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Cintra explica um efeito em cascata. Conforme os dados comecem a mostrar aumento da geração de caixa, a relação de dívida sobre o resultado operacional diminui, e isso melhora a percepção de risco das agências internacionais. De quebra, as captações feitas no exterior para refinanciar dívida ficam mais atrativas.

No pano de fundo, o mercado interno segue a pleno vigor e a demanda externa tem se recuperado cada vez mais. Agora, com os desembarques para a Rússia prestes a voltar, após sete meses parados.

Apesar da fraqueza no mercado de alguns países da Europa, Rússia e Irã são os destaques em termos de volume exportado, aponta Alex Lopes da Silva, consultor da Scot Consultoria.
No segmento de carne bovina, segundo a Secretaria de Comércio Exterior, os preços mé¬dios que haviam caído 16,3% de 2008 para 2009, agora registraram alta de 26,3% sobre os seis primeiros meses de 2009.

"O mercado externo tem sido demandador, estamos sentindo isso no nosso faturamento, o segundo trimestre do ano, está vindo muito bom", afirma o diretor de RI do Minerva, Ricardo Bonzo. As exportações representam 70% das receitas da empresa.

"No mercado interno, os índices de vendas são significativos, dado que a carne é um produto de demanda elástica. Ou seja, quando melhora a renda da população, o consumo de carne reage de forma imediata", diz o consultor da Scot.

Além disso, Barcellos lembra que a onda de consolidação não está concluída. "Há oportunidades, principalmente no Mercosul. Ainda tem o Paraguai, com uma fatia importante que pode ser absorvida".

(Jornal Brasil Econômico/SP - 27/07/2010)

 



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