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A melhor do Agronegócio: Marfrig


Em 2009, o Marfrig fez a transição de frigorífico bem-sucedido a empresa de alimentos global sua extraordinária expansão garantiu o titulo de melhor empresa do agronegócio.

Quando concedeu a primeira entrevista a exame, em 2004, Marcos Molina dos Santos,  fundador do frigorífico Marfrig era um jovem e promissor empresário do setor de carne. À época, recebeu a reportagem numa pequena sala de reuniões em um centro de distribuição em Santo André, município do ABC paulista onde instalara a sede da empresa. Na ocasião, Molina comemorava o primeiro bilhão de reais em faturamento e a conquista de clientes no mercado externo mas o Marfrig ainda era pequeno na comparação com o maior frigorífico do país, o Friboi, que faturava o dobro. Seis anos depois, Molina, hoje com 40 anos de idade, ainda pode ser chamado de jovem empresário. A distância em relação ao líder também permanece inalterada. Mas o adjetivo promissor perdeu o sentido. Entre os dois momentos, o Marfrig passou de promessa a potência Eleito melhor empresa do ano no agronegócio de Melhores e Maiores, o Marfrig é hoje parte de um grupo com alcance global. Tem 151 fábricas em 22 países - e 50.000 clientes espalhados por quase todo o mundo. As receitas anuais estimadas somam 28 bilhões de reais em 2010 (os dados da tabela da próxima página referem-se apenas à empresa-mãe no Brasil). Presente nos cinco continentes, o grupo opera com uma máquina global na produção de alimentos à base de carnes. Se produzisse apenas hambúrgueres, esse volume equivaleria a algo como 700 por segundo. Mas a linha de produtos, muito mais ampla, inclui empanados, presuntos, lingüiças, lasanha e cortes nobres de todos os tipos. O Marfrig é hoje o segundo maior fabricante de alimentos à base de carnes do Brasil e o terceiro do mundo. "Fomos favorecidos por uma combinação rara de fatores no Brasil nos últimos anos", diz Molina, agora instalado em três andares de um centro empresarial da parte mais nobre da Vila Olimpia, na zona sul da capital paulista. "O consumo interno cresceu as exportações se multiplicaram e vivemos uma expansão robusta do mercado de capitais".
Há uma boa razão para Molina frisar a importância dos mercados financeiros. Foi a partir de 2006, quando fez a primeira emissão de debêntures, que ele começou a ganhar projeção como expoente entre as novas corporações brasileiras. Fez cinco operações no mercado até agora, incluindo a abertura de capital na Bovespa em junho de 2007. Amealhou cerca de 3 bilhões de dólares e foi às compras. Molina imprimiu ritmo próprio à ascensão. Nesses cinco anos, promoveu uma das mais agressivas rodadas de aquisições já encabeçadas em tão curto espaço de tempo por uma empresa brasileira. Investiu 7,5 bilhões de reais na compra de 40 empresas - 16 delas no exterior. Não parou de comprar nem em 2009, ano ruim para as indústrias de carnes. O preço médio da arroba do boi a primeira matéria-prima dos frigoríficos passou de 80 reais, o dobro do começo da década. Ao mesmo tempo, a crise internacional não deu trégua. Clientes no exterior cancelaram encomendas prontas para a entrega, as exportações despencaram e falou crédito, o oxigênio de um negócio que depende de muito capital de giro. O ano de cenário externo adverso será lembrado no setor pelo desmanche de antigos ícones. O frigorífico Independência, símbolo de qualidade, pediu concordata. A Sadia, fragilizada com perdas em operações de derivativos, ainda em 2008, buscou uma fusão com a Perdigão. O Bertin, há décadas a grande referencia em exportação de carnes, foi incorporado pelo antigo rival JBS.

Para a Marfrig, ao contrário, 2009 fica marcada como o ano zero da globalização. Capitalizado no meio da crise me setembro, fechou com a americana Cargill a compra da Seara por 900 milhões de dólares. "A Seara chegou a ter 14% de participação de mercado, mas, quando compramos, tinha caído para 4%", diz Molina. A equipe de vendas tem reforçado a presença da marca nas gôndolas dos supermercados brasileiros. Mas a grande ambição de Molina desde que avaliou a aquisição é projetar a Seara internacionalmente. "Produtos com a marca estão sendo lançados na Argentina, no Reino Unido e na China", diz ele. "Trabalhamos para que a Seara seja uma marca global."

A estratégia de marketing para promover a Seara dentro e fora do Brasil deixou a rotina de Molina mais frenética, mas ao mesmo tempo mais divertida. O Marfrig investirá mais de 25 milhões de dólares em patrocínio de futebol (a empresa não confirma os valores). No Brasil firmou contrato de patrocínio com o Santos Futebol Clube. Mesmo sendo corintiano convicto, Molina solta risadas de conhecimento quando fala de Robinho, Neymar e Paulo Henrique Ganso, os jovens que têm dado brilho ao time da Vila Belmiro. "Eles são bons demais", diz Molina.Os contratos mais graúdos foram com a seleção brasileira e com a Fifa. Os patrocínios começaram  na copa da África do Sul e valerão até 2014, para o torneio no Brasil. A exposição no mundo de futebol deu uma perspectiva do poder de fogo do grupo. O Marfrig tem mais de 30 marcas. Com isso, pôde escolher quais exporia em cada jogo. A marca Seara apareceu ao lado da marca argentina Paty, tradicional em hambúrgueres, quando entraram em campo a seleção comandada por Diego Maradona e também a do Uruguai. Em todos os jogos das seleções européias, a Seara esteve ao lado da marca Moy Park, líder em produtos á base de aves do Reino Unido. O mesmo valeu para o time dos Estados Unidos, onde a Seara foi exposta junto à Pemmican, marca de beef jerky, um tipo de carne seca. Viciado em trabalho a ponto de visitar empresas do grupo nos finais de semana, Molina abriu espaços na agenda para ver o mundial e vibrar do seu jeito:" Cada vez que os jogadores comemoravam um gol, a Seara aparecia bem atrás", afirma. "É sorte demais".

A ascensão internacional dos frigoríficos brasileiros é conseqüência de um processo de transformação na cultura do setor. O Brasil tem tradição na produção e na exportação de carnes. Mas a atividade ganhou um impulso a partir da década de 2000. Houve, primeiro, a desvalorização do real, e, depois, uma alta inédita no consumo de produção, tinha chance de ampliar as vendas. Ocorre que os clientes internacionais pediam mais qualidade para pagar preços melhores e eram rigorosos com prazos de entrega. Empresários entenderam que deveriam trazer para o século 21 uma atividade que em muitos aspectos ainda vivia no século 16. Partes deles vislumbrou oportunidades e passou a rever práticas arcaicas, como a sonegação, a convivência com o endividamento, a tolerância com p trabalho informal e não raro escravo e ainda a vista grossa com a procedência duvidosa do gado, que colocava em xeque a sanidade e a qualidade dos rebanhos. Os problemas não desapareceram, ainda são comuns em muitas regiões. Mas o setor já tem uma elite que ganha respeito no mundo. Hoje o país é o maior exportador de carnes bovina e de frango e o terceiro de suínos.

A mão nada invisível no mercado
Nos últimos anos, emissões de títulos e ações no mercado de capitais ajudaram a financiar a expansão do Marfrig.

2006: Emissão de debêntures no valor de 375 milhões de dólares.

Empresas adquiridas
Porto Murtinha (MS)
Frigoclass (SP)
Chupinguaia (RO)
Mineiros (GO)
São Gabriel (RS)
AB&P (Argentina)
Inaler (Uruguai)
Quinto Cuarto (Chile)
Tacuarembó (Uruguai)

2007: Abertura de capital na Bovespa no valor de 600 milhões de dólares

Empresas adquiridas
Pampeano (RS)
Mabella (RS)
Quickfood (Argentina)

2009: Aumento de capital no valor de 600 milhões de dólares.

Empresas adquiridas
Da Granja (PR)
Pena Branca (SP)
Moy Park (Reino Unido).

(Revista Exame Melhores e Maiores)



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