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Especial: Mercado de Food Service prevê faturar 15% a mais em 2010


São Paulo, 30 - O cenário positivo da economia brasileira, com aumento de emprego e renda da população, impulsiona o crescimento do mercado nacional de food service (alimentação fora do lar). O segmento, que já vinha apresentando taxas de incremento de vendas superiores ao do varejo brasileiro, deve registrar faturamento superior a R$ 74 bilhões em 2010, aumento de 15% ante 2009, quando as vendas brutas somaram R$ 64,4 bilhões, expansão de 10,7%. Somente no último trimestre, quando as vendas costumam ser mais aquecidas por conta das comemorações do final do ano e do período de férias, o food service deverá ter crescimento entre 16% e 19% ante o mesmo período de 2009.

"O crescimento do food service no Brasil está sendo puxado por vários fatores: a inserção da mulher no mercado de trabalho - que hoje representa 43% dos trabalhadores -; as mudanças de hábito dos consumidores, que cada vez têm menos tempo de preparar suas refeições em casa - atualmente, as famílias têm 15 minutos para fazer sua comida - e o crescimento do emprego e da renda real", explica o coordenador da Comissão de Food Service da Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (Abia) e diretor de negócios da FSB Foods, Jean Louis Gallego.

Segundo ele, de 1995 a 2010, o food service vem crescendo a uma taxa maior que o varejo no País. "A média de crescimento anual do varejo brasileiro no período foi de 9%, com acumulado de 263%, enquanto a do food service, 13,1% e acumulado de 532%", disse. "Para o ano que vem, o incremento das vendas do food service deverá ficar em 12%, já que a base de comparação é mais forte do que os outros anos e acompanhará as previsões de crescimento menor do PIB brasileiro", disse o executivo.

Segundo a Abia, o food service representa 22% do faturamento do setor da indústria da alimentação, mas se considerado somente o consumo (vendas) de alimentos e bebidas no mercado interno brasileiro, o segmento representa 30% do total. Para o ano, a alimentação fora do lar deve manter o porcentual de faturamento da indústria, mas deverá representar 31,2% das vendas no mercado interno. A meta é se aproximar de países desenvolvidos, como os europeus, de ter mais de 50% do consumo de alimentos e bebidas em valor realizadas fora do lar. Com o histórico de desempenho do setor, a Abia acredita que esse objetivo deverá ser alcançado em 15 ou 20 anos.

Atualmente, há 1,3 milhão de estabelecimentos que preparam alimentos fora do lar. Para atender essa demanda, a indústria vem, a cada ano, ampliando sua presença no segmento food service. A McCain, líder mundial em processamento e vendas de batata pré-fritas congeladas, afirma que, nos últimos dois anos, o consumo de batata frita cresceu mais de 20% e hoje o produto está presente em 88% dos pontos de venda do food service do País.

Do negócio McCain Brasil, o food service representa 85% das vendas da operação em volume e em receita. O faturamento mundial da companhia em 2009 foi de US$ 6 bilhões, com a previsão de se repetir em 2010. Hoje, a América do Sul representa 5% do total do faturamento global da McCain, sendo 65% somente das operações brasileiras. Em dois anos, a empresa quer aumentar a representatividade das atividades da América do Sul para 10%, puxada, principalmente pelas vendas no Brasil. "Ainda existe mercado para crescer. O food service está concentrado atualmente nas regiões Sudeste, Sul e Centro Oeste. Também há o Norte e Nordeste para ser explorado e esse é um dos focos de crescimento da McCain", disse a diretora comercial da empresa no Brasil, Leila Rafael Haddad.

A Marfrig Alimentos é outra companhia do setor que tem aumentado sua presença no food service. O volume de vendas da empresa no segmento subiu 40,4% no segundo trimestre deste ano, ante o mesmo período do ano passado. Em média, os preços aumentaram 7,3%, o que também contribuiu para um aumento de receita de 50,6% no período. Embora não apresente os negócios separadamente, as operações de bovinos Brasil e food service representaram, ao final de junho, 30% da receita consolidada da companhia. A Marfrig afirma que se estrutura para acompanhar o crescimento do food service no Brasil no ano.

A empresa atende redes como Habib's, KFC, Outback e McDonald's, além de churrascarias como Porcão, Fogo de Chão e Novilho de Prata. Com a aquisição da norte-americana Keystone Foods, em junho, a Marfrig potencializa sua atuação no food service não somente no Brasil como no exterior.

Distribuição
Apesar do setor de food service ter perspectivas de crescimento, ainda há gargalos no sistema de distribuição e logística. "O setor é carente de distribuição. Há diferenças em você atingir uma cadeia/loja de fast food e o grande varejo do food service", afirmou Gallego, da Abia. Segundo ele, ainda não existe no Brasil uma estrutura de distribuição 'broadline', ou seja, com uma ampla linha de produtos, serviços e soluções, como é feita pela Sysco Corporation, nos Estados Unidos.

Para a diretora comercial da McCain no Brasil, o problema não está somente na organização logística do setor, mas também na infraestrutura de base do País, como portos, estradas e aeroportos. "Apesar dessas falhas na operação logística, o setor tem trabalhado na questão da distribuição e há empresas muito boas nessa atividade, como a Multicarnes e a Fast Food", afirmou.

(Agência Estado)

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