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Glencore fecha acordo para comprar 50% dos Moinhos Cruzeiro do Sul


Luiz Silveira (lsilveira@brasileconomico.com.br)
20/07/10 11:38

A atuação da Glencore como trading de trigo em países do Mercosul, como a Argentina, deve dar impulso à internacionalização do Cruzeiro do Sul

A trading suíça Glencore vai entrar na industrialização de trigo, e a porta será o Brasil. Especializada em commodities agrícolas e metálicas, a multinacional fechou um acordo com a Predileto Alimentos, controladora dos Moinhos Cruzeiro do Sul, para adquirir até 50% do capital do moinho em troca de um aporte financeiro direto.

O valor estimado do negócio, que depende do processo de auditoria e negociações finais, ficará entre R$ 150 milhões e R$ 190 milhões, segundo o diretor de relações com investidores da Predileto, Antenor Barros Leal Filho.

O acordo deve ser concluído em 90 dias, mas o memorando de entendimentos prevê 120 dias de exclusividade de negociação à Glencore. O controle do moinho passará a ser compartilhado entre os atuais acionistas e a Glencore.

O valor será investido na modernização das fábricas, na redução do custo da dívida e na expansão da empresa, tanto por meio da construção de novos moinhos como da aquisição de concorrentes.

"Quem quiser crescer neste mercado precisa pensar em se expandir para o Mercosul, e não apenas no Brasil", afirma Leal.

Parceria

Como vantagem da parceria, o executivo vê o fato de a Glencore já negociar trigo em países do Mercosul como a Argentina, principal fornecedor do Brasil. Tendo um sócio com acesso à matéria-prima em outros países, a expansão internacional do grupo ganha impulso.

Por trás do negócio está a necessidade de recursos para financiar o crescimento do moinho e o aprofundamento da parceria entre as empresas, já que a Glencore é fornecedora de trigo do Cruzeiro do Sul.

"Decidimos por um sócio estratégico, e não financeiro, porque 75% do nosso custo é representado pelo trigo", diz Leal.

Além de viabilizar novos investimentos em ativos, os recursos da Glencore são importantes para permitir a expansão porque a atividade de moagem exige alto capital de giro, segundo Leal.

Já o endividamento da Predileto não foi fator preponderante para a parceria, porque a dívida líquida de "pouco mais de R$ 100 milhões" é considerada baixa por Leal. "Com os juros atuais, ficou muito difícil uma empresa se expandir com base em dívida no Brasil."

As negociações começaram há seis meses, quando a empresa suíça procurou o moinho brasileiro.

As famílias que controlam a Predileto, por sua vez, buscavam uma maneira de capitalizar o negócio de trigo sem realizar uma oferta pública de ações e sem recorrer ao aumento do endividamento.

"Acredito que o setor sofrerá um processo de consolidação maior, e com a Glencore nós nos tornamos consolidadores", diz Leal. Em 2008, o grupo vendeu sua divisão de carne de frango, a Pena Branca por US$ 53 milhões, para o Marfrig.

A Predileto é uma empresa familiar com cinco moinhos no Brasil e inaugura em janeiro de 2011 uma nova unidade em Belém. Em 2010, o faturamento deve superar R$ 700 milhões.

A principal marca de varejo do grupo é a Rosa Branca. A Glencore toca no Brasil as operações da Agrenco, companhia em recuperação judicial que opera nas áreas de soja e biodiesel.

(Jornal Brasil Economico-SP)



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