Menu Interno


Crédito à exportação demora 60 dias para chegar à empresa


Karina Nappi

SÃO PAULO - Empresários do setor de comércio exterior levam em média dois meses no processo de dar entrada e obter resposta para solicitações de financiamentos e cartas de crédito para exportações e importações. De acordo com Roberto Segatto, presidente da Associação Brasileira de Comércio Exterior (Abracex), esse tempo é ultrajante, mas o pior é que somente empresas de grande porte conseguem uma resposta positiva.

"Existem inúmeras alternativas para quem quer o crédito para comercializar internacionalmente, temos bancos privados, bancos públicos, instituições de seguros, contudo é praticamente impossível que uma micro ou pequena empresa consiga o crédito desejado em qualquer uma delas, ou até mesmo um seguro para as mercadorias", relata.

Segatto cita, ainda, que o maior problema são as abusivas solicitações de documentos e garantias para conseguir o valor solicitado pelo empresário.

"Quanto menor o tamanho da empresa, maior a chance de não ser adquirido o crédito. Os documentos necessários para comprovar a futura transação, as garantias necessárias são abusivas para o financiamentos. Claro que deve-se pedir uma documentação, uma garantia, mas como um pequeno empresário consegue isto? As vezes as empresas são no fundo das próprias residências. O governo deve pensar que no Brasil só 4% das micro e pequenas empresas participam do comércio exterior pela falta de apoio e fazer algo por eles", frisa Segatto.

No início deste mês os governos norte-americano e brasileiro anunciaram uma parceria entre o Export-Import Bank dos Estados Unidos (Ex-Im Bank) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para elevar as exportações brasileiras de produtos manufaturados em 6% ainda este ano.

"O Brasil deveria colocar para funcionar o seu Ex-Im Bank, não somente fazer parcerias. Os empresários necessitam de um banco especializado para o setor. Deveria ter uma pressão superior do setor privado. Mas acho que em razão das eleições deve sair do papel (Ex-Im Bank) até outubro", destaca Segatto.

Crise

"Antes da crise financeira mundial, já tínhamos problemas para adquirir o crédito, mas após essa turbulência o mercado ficou pior. Dos 100% de ofertas de crédito disponível, durante a crise disponibilidade recuou para 10%, hoje já temos 50% de volta", lembra.

Questionado pelo DCI sobre a porcentagem que deve ser elevado o acesso ao crédito aos empresários, ele afirmou "Deve crescer em 100%, pois não existe crédito nenhum real no mercado, a menos que você seja um grande exportador como a Vale, JBS, Sadia e Marfrig".

Os setores mais carentes destas ajudas do governo para conseguir aumentar suas vendas no exterior são os calçados e têxteis, principalmente, além de autopeças, papel e celulose e produtos de madeiras.

"Nossas máquinas são antiquadas, mesmo com muita matéria-prima disponível perdemos competitividade", conclui.

Corrupção

Relatório divulgado pela Transparência Internacional (TI), organização não governamental que combate a corrupção global, mostra que, para a recuperação econômica pós-crise, as Agências de Crédito à Exportação (ECAs, sigla em inglês) devem reforçar a aplicação de medidas anticorrupção. O relatório aponta que, após a crise, têm demonstrado a importância das agências em apoiar oficialmente empresas de todos os portes para a inserção no mercado internacional, uma vez que aprovaram mais de US$ 1,5 trilhão nas transações exteriores em 2008, fato que contribuiu para a recuperação financeira.

No ano passado, o G-20 - 20 países mais ricos do mundo - comprometeu US$ 250 bilhões das agências de crédito e dos bancos multilaterais de desenvolvimento para estimular a atividade econômica. O principal objetivo das agências é promover exportações que não seriam possíveis sem o seu apoio e fortalecer as empresas de seu país para competir internacionalmente.

O relatório tem como base a pesquisa anual da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre as medidas adotadas para combater a corrupção em créditos de apoio oficial à exportação em 2009. A OCDE apresentou políticas antissuborno obrigatória há dez anos e adotou medidas concretas em 2006. Agora, a maioria das ECAs possui políticas antissuborno formais. Apesar disso, o documento da Transparência Internacional, que entrevistou 14 agências de crédito à exportação, encontrou diferenças significativas na execução e abordagens das práticas antissuborno neste ano.

(Jornal DCI-SP)



Voltar