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Empresas estão sem planos para a Copa e a Olimpíada


Não são apenas as obras de reforma de estádios e de infraestrutura que estão atrasadas no Brasil, considerando-se os prazos estabelecidos para a Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016.

Uma pesquisa da consultoria Deloitte, em parceria com o Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (Ibri), mostra que o setor privado ainda não tem planos de investimentos com foco nas oportunidades geradas por esses megaeventos.

O estudo ouviu 60 profissionais de relações com investidores de empresas de capital aberto e mais 36 gestores de investimento. Dos profissionais ouvidos, 56% não têm projetos voltados para o tema.

Destes, 35% dizem que pretendem elaborar algum no futuro, e outros 21% nem vislumbram essa possibilidade. Apenas 26% afirmam ter algum investimento em perspectiva - e 18% preferiram não responder.

Para João Paulo Rocha, sócio da Deloitte, as empresas consultadas tem a cultura de planejamento de longo prazo incorporadas ao seu dia a dia. Por isso, a falta de projetos não deve ser entendida como uma falha.

Para o executivo, essa escassez é reflexo das incertezas do governo e das entidades de administração pública em torno dos preparativos para os dois torneios.

"O governo e as entidades públicas são indutores", diz. "Cabe às empresas participar e apoiar os projetos, mas tudo depende da coordenação dos agentes públicos".

A pesquisa demonstra que os profissionais da área de investimento ainda têm muitas dúvidas em torno da organização do país para receber os dois eventos.

Dos entrevistados, 65% demonstram grandes preocupações em torno da capacidade das cidades-sede de concluir os projetos necessários para a Copa.

Pelo estudo, 63% também têm grande receio de que os investimentos públicos serão bem administrados. E os profissionais são pessimistas.

A maioria afirma que, quando comparado com outros países, o Brasil terá desempenho inferior no que diz respeito a planejamento, cumprimento de prazos e eficiência na administração de despesas.

Paradoxo

Por outro lado, 85% dos entrevistados confiam em que o retorno dos investimentos feitos deverá ser igual ou superior aos resultados auferidos em outros países.

"Há um paradoxo em torno destas duas respostas", diz Rocha. "E há dois motivos para isso. O primeiro está na falta de confiança na administração pública, o que é quase cultural. O segundo está na perspectiva dos lucros que se podem ter no futuro, já que todos os investimentos continuarão gerando dividendos no Brasil como legado da competição".

O principal benefício dos jogos apontado por 91% dos profissionais é a efetivação dos projetos relacionados à infraestrutura, que há muito tempo são necessários ao país. Em segundo lugar está a ampla divulgação da imagem do Brasil no exterior, que deverá aumentar a atração de investimentos e fluxo de turistas.

(Jornal Brasil Econômico)



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