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Dados não chegam ao consumidor


Quase um ano após assinarem acordos com o Ministério Público Federal (MPF) e a ONG Greenpeace, os frigoríficos avançaram no processo de monitorar seus fornecedores de carne na Amazônia, mas o consumidor continua sem informações socioambientais concretas para decidir sua compra. É o que mostra uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) com frigoríficos e supermercados.

Entre os meses de abril e maio, o Idec enviou questionários a oito frigoríficos e 12 redes de supermercados para saber o grau de comprometimento das empresas com os acordos para frear o desmatamento na Amazônia.

Entre os frigoríficos, cinco responderam ao estudo - Marfrig, Frigol,Minerva, Mafrinorte e Independência. Entre as redes do varejo, quatro se manifestaram: Pão de Açúcar,Wal-Mart, Carrefour e Comper. "Houve avanços no monitoramento da cadeia da carne. Essa informação, no entanto, não está chegando ao consumidor, pois ainda não é possível rastrear a totalidade da carne que está nas prateleiras do supermercado", diz Adriana Charoux, do Idec, responsável pelo levantamento. Segundo Adriana, redes como o Carrefour afirmaram que hoje conseguem rastrear 40% da carne bovina vendida nas lojas.

O Wal-Mart suspendeu a compra de carne dos frigoríficos até que eles assinem os compromissos públicos. "Outra novidade é que redes como o Pão de Açúcar já pagam um valor adicional aos pecuaristas que produzem carne dentro de critérios de responsabilidade socioambiental. Tudo isso mostra que houve avanços no último ano, mas é preciso mais", diz Adriana.

CARNE LEGAL. A campanha Carne Legal, lançada há pouco mais de um mês pelo MPF para orientar o consumidor quanto à origem da carne que consome, está sendo questionada na Justiça pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA). A presidente da entidade, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), ajuizou hoje, na Justiça Federal de Brasília,uma ação popular contra quatro membros do MPF, responsáveis pela campanha.

Segundo a entidade, o material publicitário produzido pelo MPF, que associa a cadeia produtiva da carne ao desmatamento ilegal na Amazônia, não se baseia em dados oficiais.

(Jornal do Comércio-RJ)



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