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Falta de planejamento público limita os aportes para a Copa


SÃO PAULO - A falta de clareza sobre como será a atuação do governo nas obras para a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, ambas sediadas no Brasil, limita o planejamento do setor privado com relação aos investimentos a serem realizados nestes eventos esportivos. Esta é uma das conclusões dos executivos da Deloitte, com base em pesquisa desenvolvida pela consultoria e pelo Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (Ibri), divulgada ontem.

Segundo o estudo, em um universo de 60 profissionais de relações com investidores e 36 entidades investidoras, um quarto dos entrevistados afirma que suas empresas já possuem um plano para as competições. Desta equação, 12% dos que representam companhias abertas no Brasil dizem que possuem um plano em andamento e 14% responderam que têm um plano específico a ser implantado. "Porém, o percentual dos que responderam que ainda pretendem se preparar (35%) é preocupante", afirma o sócio da área de Corporate Finance da Deloitte, José Paulo Rocha. O também sócio da consultoria para projetos da Copa do Mundo de 2014, Robson Calil, comenta que o governo e as entidades públicas induzem o planejamento do setor privado. "As empresas enxergam o horizonte e vêem oportunidades com os eventos, mas falta um plano claro do governo sobre quais são os focos de atuação", explica.

Segundo a pesquisa, os entrevistados apontam a garantia das responsabilidades e coordenação eficiente entre os níveis de governo como alguns dos maiores desafios a serem enfrentados para a boa condução dos eventos esportivos. No mesmo patamar de preocupação, encontram-se a garantia dos compromissos assumidos pelo governo; a segurança da melhoria da infraestrutura no País; e o cumprimento dos parâmetros estabelecidos para ambas competições no Brasil. O estudo aponta ainda que a maior preocupação dos consultados (65%) é se as cidades-sede irão conseguir concluir seus projetos para a Copa. Da mesma forma, 63% dos entrevistados estão atentos se os investimentos públicos aplicados nesse evento serão bem administrados.

Oportunidades

O diretor presidente da IBRI Ricardo Florence, que também é diretor de relações com investidores da Seara, do grupo Marfrig, afirma que as empresas que já se planejaram possuem uma vantagem competitiva. "A pesquisa alerta para este fato. A Seara está presente nos 12% (que afirmam já ter planos em andamento) e é perceptível a valorização da marca no exterior", analisa.

A pesquisa revela que, para 67%, no longo prazo haverá a melhoria da imagem brasileira no exterior. Do universo de entrevistados, 63% acreditam que um dos benefícios com a Copa e Olimpíadas será a maior qualificação do País como pólo turístico mundial. Além disso, 54% prevêem a internacionalização do País com a projeção do Brasil - 84% acreditam que este último será um grande benefício.

Como importante legado para o crescimento brasileiro sustentável, 91% dos consultados pela Deloitte indicaram a conclusão dos projetos relacionados a infraestrutura e logística.

Investimentos

De acordo com o estudo, as cidades-sede que mais precisam de investimentos para a conclusão dos projetos são Rio de Janeiro (na opinião de 53%) e Salvador (52%). "A cidade carioca sediará os dois eventos esportivos em datas muito próximas, por isso foi mais destacada", explica Rocha.

Cidades-sede como São Paulo (40%), Brasília (24%), Belo Horizonte (24%), Porto Alegre (22%) e Curitiba (18%) apresentaram percentual menor entre os municípios que sediarão a Copa porque, na avaliação de Rocha, estão mais desenvolvidas.

Ainda segundo a pesquisa, os setores que receberão maiores investimentos, na opinião dos entrevistados, serão indústria de construção (65%), seguido por turismo, hotelaria e lazer (55%) e transporte aéreo e infraestrutura (53%). "Entretanto, neste estudo, apenas 7% apontaram segurança como uma atividade com potencial de recebimento de investimentos e ninguém indicou a saúde", analisa José Paulo Rocha.

No quesito das atividades que terão entrada de investimentos de forma indireta o comércio apresenta destaque na avaliação de 88% dos entrevistados

(Jornal DCI)



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