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Copa e Olimpíadas: apenas 12% das empresas já têm plano específico, diz pesquisa


SÃO PAULO - Apenas 12% das empresas possuem um plano específico já em andamento para se beneficiar dos megaeventos que serão realizados no Brasil em 2014 e 2016 (Copa do Mundo e Olimpíadas no Rio de Janeiro), constatou pesquisa realizada pela Deloitte em parceria com o IBRI (Instituto Brasileiro de Relações com Investidores) divulgada nesta quarta-feira (14).

O levantamento "Brasil, bola da vez - Negócios e Investimentos a caminho dos grandes eventos esportivos" se propôs a mensurar como a realização desses dois eventos no País influencia a tomada de decisões das companhias, representadas pelos profissionais de Relações com Investidores.

Para tanto, foram entrevistados 60 profissionais da área, além de 36 entidades investidoras, na maioria fundos de previdência, por terem papel mais destacado nos investimentos em projetos de infraestrutura, explicou José Paulo Rocha, sócio-líder da área de Corporate Finance da Deloitte.

Marfrig já sentiu impacto
Ricardo Florence, presidente-executivo do IBRI, também participou da discussão, que fez parte do 12º Encontro Nacional de Relações com Investidores e Mercado de Capitais. Florence, que também é diretor da Marfrig (MRFG3), declarou que a empresa faz parte desses 12% que já se posicionaram, com atitudes que vêm desde a Copa do Mundo da África do Sul, encerrada neste domingo (11).

Como patrocinadora oficial do evento, a Seara, que faz parte do grupo, teve os acessos ao seu site decuplicados desde o início do ano, e Florence atribui esse desempenho também à exposição obtida. Embora o posicionamento das companhias ainda seja tímido, Florence acredita que isso mudará nos próximos anos, até porque é quando começam os trabalhos de infraestrutura, explica, que as empresas tendem a adequar seu planejamento.

Cronograma a cumprir
De acordo com a pesquisa, 26% das empresas possuem plano específico ou em desenvolvimento relacionados às oportunidades oferecidas pela realização da Copa do Mundo no País, enquanto 35% manifestaram que pretendem se preparar. Para Rocha, esse percentual é preocupante, porque assim como o governo tem um cronograma a cumprir, as empresas também têm que ter um planejamento, sob o risco de não aproveitar todo o potencial oferecido.

No entanto, Rocha acredita que esse não é um problema apresentando por essas empresas normalmente, já que existe dentro delas cultura de planejamento "e uma visão clara de onde se quer chegar". Assim, o que Rocha acredita que pode estar acontecendo é que a ausência de planos específicos esteja associada às incertezas que envolvem o evento, como o orçamento, os projetos etc.

Poder público em questão
A pesquisa, que contemplou profissionais de empresas de todos os setores, mostra que residem justamente nas questões que envolvem o poder público as principais dúvidas em relação ao evento. Como exemplo, mais de 90% dos respondentes atribuíram grau máximo de dificuldade (em escala de 1 até 7) à coordenação eficiente entre os níveis de governo e à garantia de infraestrutura geral para o evento, "em uma clara percepção de que não bastam arenas", declarou Rocha.

Outro sinal dessa percepção ficou a cargo da percepção de como será a preparação do Brasil para receber o evento em comparação aos demais países-sede. A maioria acredita que as despesas e os cumprimentos de prazo serão inferiores ao apresentado por outras nações. Por outro lado, 65% disseram acreditar que o retorno será equivalente ou melhor.

Esse aparente paradoxo, disse Rocha, pode ser atribuído à visão de que os dois primeiros itens são de competência da parte pública, enquanto o retorno abrange também investimentos da iniciativa privada, e ao fato de que os profissionais das empresas consideram que a participação no evento será positiva, apontou Rocha.

Atividades envolvidas
O levantamento, realizado entre os meses de abril e maio deste ano, ainda mostrou que os profissionais consideram que os setores de construção, turismo e hotelaria e transporte aéreo e infraestrutura portuária são os que têm relacionamento mais estreito com o evento, todos citados por mais de 50% dos entrevistados. Chama a atenção, no entanto, que segurança apareça com apenas 7% das respostas.

Para Robson Calil Chaar, sócio da Deloitte para projetos da Copa do Mundo de 2014, não é que não existam oportunidades nessa área, ou que os profissionais de RI considerem que a segurança não está envolvida na realização de um evento como a Copa do Mundo. Pelo contrário, afirmou Calil, o problema é que as companhias ainda não veem como explorar esse segmento.

Mais uma vez, a causa citada é a ausência de um plano por parte do governo, que deve ser o condutor do evento, aponta Calil. Com isso, "o caminho não está claro", e por isso essa dificuldade em enxergar como o setor pode ser impactado pelo evento.

Investimentos
Em relação às perspectivas dos investidores, 58% disseram que pretendem investir em projetos relacionados à Copa do Mundo de 2014. Já 61% declararam que têm o objetivo de aplicar recursos nas Olimpíadas de 2016. Para atrair esses recursos, Florence destacou o papel dos profissionais de RI, que devem agir como "via de mão dupla" entre empresas e investidores.

Robson Calil concluiu afirmando que ainda não existe estimativa de investimentos privados nos projetos envolvendo o campeonato. Embora se espere que o montante total aplicado seja de R$ 100 bilhões, Calil declarou que não se sabe qual será a divisão entre investimentos públicos e privados, por causa da indefinição do orçamento do governo.

E concluiu ao afirmar que acredita que o País conseguirá, com certeza, atender às exigências da Fifa para sediar o evento, mas que o problema não é esse: "é o legado que é muito importante".

(Portal Yahoo News)



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