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Maior nos EUA que no Brasil, Fogo de Chão pisa no freio


Arri Coser, sócio da Fogo de Chão, quer abrir a primeira unidade no Rio em 2011

Na rede de churrascarias Fogo de Chão, a filial é bem maior do que a matriz. Nos últimos três anos, o número de restaurantes nos Estados Unidos saltou de 6 para 16, quase o triplo do tamanho da empresa no Brasil, que tem seis unidades. Depois dessa arrancada, impulsionada pela GP Investimentos, dona de 35% do capital, a Fogo de Chão pisa no freio e deve retomar os planos de expansão em 2011.

"Em 2010 nós decidimos reformar, modernizar dois restaurantes no Brasil e os quatro mais antigos nos Estados Unidos", diz Arri Coser, fundador e sócio do irmão Jair Coser, que mora em Dallas, no Texas. A partir de 2001, o plano é voltar a abrir duas unidades por ano, nos EUA e no Brasil.

"Estamos pesquisando áreas para abrir nosso primeiro restaurante no Rio e mais um em São Paulo", diz Arri, gaúcho nascido em Encantado, que em 1975 decidiu deixar a serra gaúcha ao lado do irmão Jair. Passaram quatro anos no eixo Rio-São Paulo, ganhando experiência, e em 1979 abriram, com os irmãos Aleixo e Jorge Ongarato, a primeira churrascaria Fogo de Chão, em Porto Alegre.

O modelo de rodízio de carnes assadas em espetos sobre fogueiras no chão - costume dos peões que levavam manadas de gado para o local de abate ou em busca de novas pastagens - chegou a São Paulo em 1986. Vinte anos depois, o sistema de "espeto corrido" chamou a atenção da GP, a maior gestora de fundos de private equity do país e da América Latina. Em 2006, a GP comprou 40% do capital da Fogo de Chão por US$ 64 milhões (hoje, a fatia é de 35%). Os Coser compraram a parte dos Ongarato e a expansão da varejista foi acelerada, com ênfase nos EUA.

Mas por que ser maior nos Estados Unidos do que no Brasil? Arri responde: "Os EUA são um país pronto. Já têm tudo: aeroporto, estradas, toda a infraestrutura, dinheiro."

Os EUA continuam sendo a maior economia do mundo, mas a crise deflagrada pela quebra do banco Lehman Brothers em setembro de 2008 e que jogou boa parte do mundo na recessão em 2009, fez encolher o dinheiro no bolso do americano. A Fogo de Chão sofreu, mas menos do que a média dos concorrentes.

"No ano passado, nós tivemos o melhor Dia dos Namorados [14 de fevereiro] de todos os tempos nos Estados Unidos", disse Arri. O americano que costumava levar a namorada para jantar e gastava US$ 300, quis economizar, explicou. "O nosso tíquete médio é favorável, em torno de US$ 90."

O cliente corporativo, porém, reduziu bem as idas ao Fogo de Chão. A diretora de Operações da rede nos EUA, Selma Oliveira, lembra que há quatro, cinco anos, o consumidor costumava ir ao restaurante quatro vezes por mês. "Agora, vem uma vez". Mas Selma conversa com os clientes todos os dias e nota que estão mais otimistas. Avalia que a recuperação da economia americana será demorada, talvez até a metade de 2011.

A GP, em seu relatório financeiro de 2009, informa que a Fogo de Chão teve queda no faturamento quando se compara o desempenho dos restaurantes, sem considerar as unidades novas abertas em 2009 - foram três: Kansas City, Denver e San Antonio.

Ainda assim, a GP observa que o resultado foi melhor do que o do setor de restaurantes que servem jantar, que encolheu 20,3% no ano passado. No Brasil, onde o PIB caiu 0,2% em 2009, a redução no "tráfego" de consumidores foi em parte compensada por um aumento no tíquete médio. O rodízio em São Paulo custa R$ 88 e o gasto total por cliente fica entre R$ 110 e R$ 125,

A resposta da direção da Fogo de Chão, ainda em 2009, para suavizar o impacto no lucro, foi manter o plano de abrir as lojas novas e, além disso, negociou preços menores nas compras de carne e controlou os custos com rigor.

Os principais fornecedores de carne da Fogo de Chão nos EUA são a National Beef, da Tyson Foods, e os brasileiros JBS e Marfrig. "A logística é perfeita nos Estados Unidos. As entregas são feitas pela UPS, pela DHL. Não há o menor problema", diz Arri. Ele não precisa mais explicar aos frigoríficos americanos como quer os cortes da carne. A picanha, que nos últimos anos foi alvo de uma bem-sucedida ação de marketing, está no topo da lista das carnes mais pedidas na Fogo de Chão, nos EUA e no Brasil. Os executivos das classes A e B - o foco dos irmãos Coser - também gostam de comer cordeiro e filet mignon, nos EUA, e costela, bife ancho e fraldinha, no Brasil.

(Jornal Valor Econômico)



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