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Avançam negociações sobre carne com EU


O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, garantiu ontem ter avançado nas negociações políticas com autoridades da Comissão Europeia para reduzir as exigências para a importação da carne bovina brasileira in natura. E, mesmo em Bruxelas, informou ter alcançado um acordo técnico com os Estados Unidos para retomar "em algumas semanas" as vendas de carne processada ao mercado americano, suspensas desde o fim de maio.

Após encontros na comissão e no Parlamento Europeu, Rossi estava otimista, mas ainda cauteloso. "Eles não quiseram flexibilizar critérios porque há pressão política forte do setor agrícola. Mas tivemos uma conversa franca", disse.

O ministro convenceu os europeus a transferir ao Brasil, "sob argumentos técnicos ainda pendentes de acordo", a administração da lista de fazendas credenciadas a vender gado a frigoríficos habilitados. "Mas eles se reservam o direito de auditar o processo a qualquer momento. Ainda remanesce no imaginário do consumidor europeu os resultados de uma campanha insidiosa sobre as condições da agropecuária brasileira, de trabalho escravo, desmatamento ou de que não temos todos os controles, como bem-estar animal".

O ministro Rossi informou, ainda, ter feito acordo para permitir uso de ração vegetal na alimentação de gado cujos cortes nobres são vendidos dentro da chamada "Cota Hilton". "Eles aceitaram a suplementação da ração animal, mas nada de alimento processado e só em épocas de seca. Isso também ficará a cargo de um acordo técnico", disse.

Na Bélgica, o ministro Wagner Rossi teve relatos de auxiliares sobre as negociações nos EUA. "Eles estão dispostos a retomar a compra, mas acabamos de apresentar um plano de ação e quiseram um prazo para ver resultados disso", afirmou, em referência ao plano oficial para monitorar resíduos na carne, como traços de vermífugos usados no gado abatido.

O governo brasileiro esperava retomar as vendas aos EUA ainda nesta semana. Mas os americanos querem um prazo para garantir a efetividade do plano de ação. "Vamos acompanhar a execução do plano com análises laboratoriais. Também quero ver o resultado negativo dos exames. Eles querem e eu também quero", afirmou.

O ministro minimizou a demora na retomada: "Estão com boa vontade, não fixaram prazo, mas em algumas semanas retomaremos as vendas". E os frigoríficos terão mais encargos, segundo ele. "Já cobrei das empresas que elas têm que ser responsáveis pelo que exportam. Vamos ser mais ativos, mas tem que ter mais laboratórios de empresas, do governo e até de terceiros".

A conversa do ministro com as indústrias, representadas na comitiva que viajou a a Bruxelas, também passou por uma proposta de alteração na relação com pecuaristas no caso específico das vendas dentro da "Cota Hilton", cujo montante de 10 mil toneladas não tem sido atingido nos últimos dois anos por questões sanitárias e desconfianças mútuas na cadeia produtiva.
"Vamos voltar gradativamente a vender, mas não será tão rápido quanto gostaríamos", afirmou. "Mas os frigoríficos precisam fazer contratos antecipados para entrega futura na Cota Hilton. Senão, os produtores não têm condições de investir durante 30 meses num boi para ver se no final conseguem vender ao frigorífico".

Acompanharam a comitiva o presidente do grupo JBS, Joesley Batista, além do diretor-executivo da Abiec, Otávio Cançado; o presidente da Abipecs, Pedro de Camargo Neto; e dirigentes da Seara e da Brasil Foods. (MZ)

(Jornal Valor Econômico)



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