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Aurora prevê receita de R$ 3 bilhões e volta ao azul


A Coopercentral Aurora, de Santa Catarina, se prepara para recuperar o fôlego perdido durante a crise internacional e alcançar um faturamento de R$ 3 bilhões este ano, alta de 7,9% sobre os R$ 2,78 bilhões de 2009.

E com sobra de caixa, o que não aconteceu nos últimos dois anos. Para transformar a previsão em realidade, a cooperativa terá de superar um desafio que se impõe em seu mercado. Nos últimos anos, o setor de alimentos, que era dominado por indústrias locais, mudou radicalmente e se tornou terreno de multinacionais.

A Macedo Agroindustrial faz parte agora da americana Tyson. Sadia e Perdigão fundiram-se na gigante Brasil Foods e a Seara foi adquirida pelo grupo Marfrig.

Todos adversários de peso. A Seara, por exemplo, teve sua marca em exposição global pelos jogos da Copa do Mundo.

"Somos sete vezes menores que a Brasil Foods e nove vezes menores que a Marfrig. Se quisermos concorrer, teremos de ser ótimos em tudo, em todas as etapas da produção e da venda", afirma o presidente da Aurora, Mário Lanznaster.

A fábrica planeja competir sem fazer mudanças estruturais profundas ou desembolsar cifras elevadas. A estratégia principal para combater a concorrência das gigantes é de aproximação.

Segundo o presidente, a Aurora quer ficar mais ligada aos associados para fortalecer e melhorar a cadeia produtiva. Isso será feito com cursos e capacitação como objetivo de ajudar os produtores a reduzir custos, aprimorar a qualidade e evitar prejuízos.

"Queremos envolver também a mulher e o filho do agricultor com palestras e treinamentos. Assim, a família estará mais capacitada a ajudar na produção e o filho continuará fazendo evoluir o negócio do pai."

Melhorar o trabalho interno ajudará a Aurora a compensar uma desvantagem frente às concorrentes. Para uma cooperativa, a captação de recursos financeiros é muito limitada. Já nas empresas tudo é mais ágil.

Ricardo Gouvêa, diretor executivo do Sindicato das Indústrias da Carne de Derivados (Sindicarne) de Santa Catarina e da Associação Catarinense de Avicultura, reconhece que empresas maiores conseguem recursos mais rapidamente com emissão de debêntures, venda de ações na bolsa ou até mesmo chamada de capital.

Essas alternativas permitem investimentos altos e planejamento agressivo.
Porém, Gouvêa acredita que o sistema de cooperativas continuará sendo um bom modelo e que tanto a Aurora quanto as multinacionais são sinônimo de fortalecimento do setor.

"A presença de multinacionais em Santa Catarina irá fortalecer de maneira sustentável todos os elos da cadeia produtiva, como melhoramento de grãos e criação dos animais. Mas o modelo de cooperativa também acompanha de perto esses elos e, juntos, dão mais musculatura a todo o setor."

Desempenho

Diante da turbulência global, a central Aurora entrou no vermelho por dois anos seguidos. Em 2008, obteve resultado negativo de 4% em relação ao faturamento.

A situação piorou em 2009, com perdas de 5%, o que representou cerca de R$ 140 milhões a menos no caixa. Os números foram fruto de uma convergência de três fatores: o crescimento das despesas financeiras, o aumento no valor dos insumos, resultado da disparada do dólar, e uma queda do preço final dos produtos da fábrica no mercado interno.

Com este cenário, apesar do faturamento ter continuado a crescer, a Aurora teve de cortar custos na tentativa de amortecer os impactos negativos. Optou por fechar temporariamente um frigorífico e reestruturou a área comercial.

Agora, com a economia de volta aos eixos, o dólar calmo e os preços em recuperação a Aurora acredita que atingirá uma sobra (termo equivalente a "lucro" usado pelas cooperativas) de R$ 120 milhões, o que significa 4% do faturamento.

Investimentos

Neste ano a empresa finalizará investimentos iniciados no ano passado, com a conclusão da indústria de processamento de leite de Pinhalzinho (SC). Somando os valores de 2009 e 2010, a Aurora desembolsou R$ 225 milhões. Novos aportes devem sair em 2012.

(Portal Brasil Econômico)



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