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Frango continuará ganhando espaço nas proteínas - Parte 1 - Por Valter Bampi


O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estimou no início de 2010 uma população no Brasil de quase 200 milhões de habitantes e o volume de carne de frango ofertado internamente em janeiro de 2010 correspondia a uma disponibilidade anual superior a 45 kg/per capita, só inferior à alcançada em novembro de 2008, quando o setor enfrentou a combinação de uma alta produção com forte refluxo das exportações (crise econômica mundial).

A Agência de Agricultura e Alimentação da Organização das Nações Unidas (FAO) e da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) confirmam a liderança do Brasil na produção de commodities, com a primeira ratificando relatório anterior, causador de controvérsias, apontando a pecuária como responsável por 18% de emissões totais de gases de efeito estufa (entre todos os segmentos), mais do que o setor automotivo e sugerindo dietas vegetarianas. Agora, calcula que a pecuária é responsável por 80% de todas as emissões na agricultura por desmatamento, uso de combustíveis em queimadas, fermentação intestinal e gestão de esterco.

Tanto FAO quanto OCDE calculam que as emissões devem aumentar no futuro pela alta da renda, elevando consumo de carnes, lácteos e produtos de maior valor agregado, dando maior alta em emissões agrícolas na América Latina, Ásia e África. O custo das emissões da pecuária resultará em mudanças na produção, consumo e comércio, favorecendo a demanda por carne associada a um menor volume de emissões, como a de frango.

O consumo mundial de carnes continuará nesse crescimento e a demanda virá de países em desenvolvimento, sobretudo para carne de frango que crescerá 2,8% ao ano, a carne suína 2,3% e a carne bovina aumentando 2%, havendo preferência universal pelo frango. Mesmo em países no qual o crescimento per capita do consumo de carnes é marginal, o frango crescerá em detrimento a outros produtos. Esta tendência continua nesta década no mundo no setor de produção, com a carne bovina aumentando 1,9% na próxima década - ante 2,1% até agora -, por causa de maior custo e disponibilidade de recursos naturais.

Produção mundial - Países emergentes serão responsáveis por 89% da produção adicional, com domínio do Brasil e China - o primeiro com maior ganho de produtividade na atividade e o segundo com mais ganho de produtividade da terra. Exportações podem aumentar 22% em comparação ao período 2007-09, sendo o Brasil responsável por 63% de toda a carne exportada a partir de países não membros da OCDE e por um terço da exportação total. Os Estados Unidos perderão a liderança nas importações de carne até 2019 para a Europa, com europeus importando 2,9 milhões de toneladas/ano, os EUA 2,2 milhões de toneladas e o Japão 2,1 milhões de toneladas. Japão, México e Coreia continuarão importadores e a Rússia, até recentemente o maior importador de carnes, reduzirá suas compras em até um milhão de toneladas, se conseguirem o objetivo de elevar a produção doméstica.

A expectativa é que as carnes vão se recuperar rapidamente nos primeiros anos da projeção 2010-2019. Nos últimos dois anos, os preços não acompanharam o desenvolvimento das outras commodities com projeção de alta nominal para carnes bovina e suína de 22% até 2019, enquanto o preço do frango subirá 34% e a carne de cordeiro, até 68%. Agências preveem um ritmo mais acelerado na consolidação e globalização da produção, como no Brasil, com a união da Perdigão e Sadia, criando a Brasil Foods (BRF), uma das maiores do setor de carnes no mundo em valor de mercado. A exigência de crescente economia de escala, no rastro da crise econômica, deve abrir novas oportunidades globais e é isso que deve pensar o Grupo Marfrig, que nos últimos tempos já adquiriu quase quarenta empresas.

(Portal ZooNews)



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