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O time da preservação


O ônibus com pecuaristas brasileiros segue para o estádio Soccer City em Joanesburgo, na África do Sul. O assunto das conversas poderia ser apenas futebol, mas não é. A preocupação com a legislação ambiental e a adequação das fazendas se mistura à empolgação de assistir, dentro de poucas horas, um jogo da Copa do Mundo.

José Renato Meirelles, de Tangará da Serra, em Mato Grosso, é um dos integrantes do grupo. Ele resume a angústia de quem produz carne na região da Amazônia legal:

- Hoje sou um "ilegal" com documento na mão.

Na prática, ele tem todos os documentos exigidos pelas autoridades e pelo frigorífico. Tem licença ambiental e área preservada de 24%, tudo dentro das regras no ano de 1999, quando a papelada foi emitida. No entanto, se o Código Florestal Brasileiro fosse cobrado à risca dentro das regras atuais, ele não cumpriria os 35% de reserva legal e mais as áreas de preservação permanente (APPs) exigidas pela lei.

Seguir a legislação ambiental está no centro das atenções dos produtores por uma questão de consciência ecológica, mas também porque pode impactar diretamente nos negócios.

Meirelles foi para a África do Sul junto com outros 10 pecuaristas que fornecem carne para o frigorífico Marfrig, um dos gigantes da indústria da carne. Os pecuaristas fazem parte de um grupo que ainda é exceção no Brasil: agricultores com a situação ambiental regularizada, comprometidos com a preservação da floresta Amazônica. A empresa criou uma comitiva especial de fornecedores nessas condições e entre eles sorteou as passagens e os ingressos para a Copa, como forma de reconhecimento.

As exigências dos frigoríficos aumentaram no Brasil desde o ano passado, quando varejistas nacionais e internacionais embargaram a compra de carne de abatedouros no Pará que usavam bois criados em áreas desmatadas.

No time dos pecuaristas selecionados para a Copa estava o gaúcho José Laerte Godói que saiu ainda jovem de Viamão, no Rio Grande do Sul, e hoje se divide entre os negócios em Santos (SP) e a fazenda de gado de corte em Sapezal (MT). Ele tem quase 30% de suas terras com a vegetação original de cerrado preservada. Também faz rotação de culturas: alterna áreas com plantio de soja, milho e a braquiária das pastagens.

Outro pecuarista que embarcou para a África por vestir a camisa da preservação foi o passo-fundense Evaristo Tagliari. Na fazenda dele em Paranatinga (MT) metade da vegetação original ainda está preservada. As áreas plantadas com arroz sequeiro numa safra, dão lugar a pastagens no ano seguinte. O pasto semeado em terra anteriormente adubada cresce mais vistoso e alimenta mais bois.

- O planejamento e a tecnologia permitiram aumentar a produtividade em 30%. Não precisei desmatar para produzir mais carne - diz Tagliari.

O repórter Gustavo Bonato, do Canal Rural, viajou para a África do Sul a convite do frigorífico Marfrig.

(Jornal Zero Hora)



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