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Brasil espera retomar venda de carne nos EUA.


Alexandre Inácio

O embarque amanhã para os Estados Unidos do diretor do Departamento de Inspeção de Produto de Origem Animal do Ministério da Agricultura, Nelmon Oliveira da Costa, pode colocar fim á proibição das exportações de carne bovina industrializada ao mercado americano.  A expectativa do governo e dos frigoríficos é que as vendas sejam retomadas a partir da próxima semana, mais de um mês após sua suspensão em 27 de maio.
A liberação das exportações de produto da JBS, no entanto, ainda dependerá de uma vistoria a ser feita pelos órgãos veterinários dos Estados Unidos. A decisão do Governo Brasileiro de suspender as vendas ocorreu depois que o EUA detectaram níveis acima do desejado do vermífugo ivermectina em carne bovina industrializada exportada pela JBS.

"A suspensão das vendas foi uma iniciativa brasileira e a reabilitação ocorrerá para todos os frigoríficos, exceto para aqueles em que foi identificado alguma violação", afirmou Otávio Cançado, diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Carne (Abiec).

A estimativa do setor, até agora, é de que as perdas com a proibição somem entre US$ 45 milhões. A expectativa , contudo, é que ao longo do segundo semestre do ano esse valor seja compensado, já que o Brasil é o principal fornecedor do produto aos Estados Unidos.

Segundo Francisco Ferreira Jardim, secretário de Defesa Agropecuária do ministério, o Brasil passará a adorar os mesmos critérios usados pelos EUA para avaliação de resíduos na carne bovina, que não é reconhecido pelo Codex Alimentarius. A idéia é evitar que esse tipo de problema volte a ocorrer.
"Os americanos criaram uma regra própria. Estamos entendendo esses critérios para passar a adotar no Brasil. Nossa idéia é que as indústrias tenham estruturas próprias de controle e que a presença do governo seja por meio de uma fiscalização dessas estruturas. Alguns frigoríficos já possuem isso, mas não são todos", afirma Jardim.

A liberação para exportação de todas as unidades, exceto as da JBS, pode provocar mudanças no mercado americano de carne industrial. A razão é que a JBS responde por 70% do abastecimento desse produto. Sem a possibilidade de exportar, pelo menos por enquanto, a empresa abriu espaço para que concorrentes, como a Marfrig, aumentem sua presença.

Segundo o Ministério da agricultura, a JBS tem três unidades habilitadas para exportar carne cozida e congelada para o mercado americano, todas em São Paulo. Lins, Andradina e presidente Epitácio. Já a Marfrig tem autorização para vender o mesmo produto a partir de Promissão (SP).
O Valor  apurou que já existe uma missão americana vistoriando a unidade de JBS em Lins e que deve constatar as providências tomadas pela empresa.

Com apoio do governo, exportadores elevam pressão sobre União Européia.
Os exportadores das três cadeias das carnes - bovina, aves e suínos - ganharam o apoio do governo federal para elevar a pressão sobre a União Européia. Na próxima semana, representantes da União brasileira de Avicultura (Ubabef) da Associação Brasileira da Indústrias Produtoras e Exportadoras de Carne Suína (Abipecs)e da Associação Brasileira da Indústria exportadora de Carnes (Abiec) se juntam ao ministro da Agricultura, Wagner Rossi, para cobrar ações da UE sobre pendências no setor.

Na sexta-feira, uma missão da Abiec vai com o ministro a Bruxelas negociar uma participação na nova cota criada pelos europeus para importação de carne bovina. A medida foi tomada para favorecer os EUA, mas permite a participação de outros países na cota, como já ocorre com a Autrália. "Além disso, vamos pedir o governo do Brasil fique responsável por administrar a lista de fazendas habilitadas a exportar para o bloco", disse Otávio Cançado, diretor-executivo da Abiec, que participou ontem de encontro com o ministro representante dos setores de carnes de frango e suína.

Durante a reunião de cúpula Brasil-UE, em Brasília na próxima semana, a Ubabef tentará de novo negociar um acordo sobre o conceito de carne fresca - "fresh meat". A mudança na nomenclatura do produto pode limitar os embarques brasileiros ao bloco. "Já estamos com um estudo preparado para apresentar na OMC (Organização Mundial do Comércio) um pedido para abertura de painel, caso não haja sinal de disposição em negociar", disse Francisco  Turra, presidente da entidade.

Há tempos em negociação, a abertura do mercado europeu para a cerne suína brasileira é um dos temas que também serão tratados. "A abertura desse mercado é uma chancela para que outros países comprem o nosso produto" disse Pedro de Camargo Neto, presidente da Abipecs.

No encontro em São Paulo, as entidades aproveitaram a presença de Rossi para cobrar ações internas. Entre os pleitos estavam a desoneração de Pis/Cofins, criação de uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) para agilizar a fiscalização de frigorífico, e rapidez na conclusão do Plano Nacional  de Controle de Resíduos e Contaminantes (PNCRC).

"Vamos estudar cada um dos pontos com as associações e levar para análise dos ministérios competentes todos os pedidos. Vamos avançar com isso, pois todos eles (pedidos) são juntos", disse Wagner Rossi. (AL)

(Jornal Brasil Econômica)



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