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Concentração de mercado ameaça a Sadia-Perdigáo.


Restrições foram divulgadas pela Seae, que sugere duas opções consideradas inviáveis para os planos de crescimento da BRFoods.

 As restrições anunciadas pela Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae), ligada ao Ministério da Fazenda, reduziriam drasticamente as vantagens esperadas por Perdigão e Sadia com a fusão de suas operações, segundo avaliação de analistas de bancos que acompanham o setor de aumentos.

Por considerar que a fusão levará à concentração de mercado, a Seae sugeriu duas alternativas. Pela primeira, o novo grupo teria de licenciar por pelo menos cinco anos a operação de uma de suas principais marcas (Perdigão ou Sadia). A segunda proposta passaria pela alienação de um conjunto de marcas em setores onde a concentração seria mais evidente, como Batavo, Rezende (de carne processada, controlada pela Sadia), Doriana e Delicata (estas duas últimas aquiridas da Unilever).

Em relatório distribuído a clientes, o Deutsche Bank classificou a primeira opção como "absurda" e disse que a segunda, embora "mais palatável", também representaria ônus para os planos de crescimento da BRFoods. Já o Itaú disse que o licenciamento de Perdigão ou Sadia "não faz muito sentido", por "quase eqüivaler a impedir a fusão".

"É difícil entender como o licenciamento de uma marca iria melhorar a concorrência do mercado", acrescenta o banco, em re¬latório com data desta quinta-feira. "Já esperávamos algum tipo de restrição, mas não desse porte. Não torna a fusão inviável, mas reduz os ganhos que a união de ativos iria proporcionar às duas empresas", afirmou a analista Sandra Peres, da Coinvalores.

Pelo parecer da Seae - enviado ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que tem liberdade para acatar ou não as recomendações da secretaria -, a participação conjunta de Perdigão e Sadia seria superior a 20% em 15 de 21 segmentos, especialmente em massas prontas (como pizza e lasanha). Sandra entende que essa preocupação tinha maior valor na época de anúncio da fusão (em maio de 2009), não tanto agora.

Sadia e Perdigão não abriram todos os números para o mercado. Então, não é possível ter com segurança uma avaliação. Mas o fortalecimento de grupos como JBS (maior produtor de proteína animal do mundo) e Marfrig (com faturamento estimado superior ao da própria BRFoods) poderia garantir uma concorrência maior.
Analista do setor de aumentos na Link Investimentos, Rafael Cintra chegou a estimar em R$ 3,8 bilhões o ganho em sinergias proporcionado pela fusão das duas empresas esquivando da imprensa nas últimas semanas, evitando comentar rumores sobre possíveis negociações com o JBS Fri-boi.

Na entrevista ao jornal "A Gazeta", Luiz Antônio Freitas disse que todos os compromissos serão honrados em dia e que nenhum fornecedor ou funcionário ficará sem receber. A unidade do Pantanal de Rondonópolis funcionou até a última sexta-feira; a de Várzea Grande encerra as atividades no dia 20; e a de Juara em 30 de julho. Ele negou as negociações com o JBS Friboi e afirmou que as unidades não foram e nem serão vendidas, arrendadas ou alugadas para outras empresas.

O diretor superintendente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luciano Vacari, disse à Agência Estado que a paralisação do Pantanal acentua a concentração no setor e torna ainda mais difícil as negociações dos pecuaristas na venda do gado, uma vez que as três unidades abatiam 1,5 miranimais poj dia. No Estado, há 13 unidades paralisadas, das 39 existentes.

Abate - Segundo Vacari, os grupos JBS Frigoi, Marfrig e Brasil Foods (Sadia/ Perdigão) respondem por mais de 60% do abate de bovinos no Estado. Dos pequenos ainda resiste o Mata-boi, em Rondonópolis Outras duas empresas em recuperação judicial estão retomando o abate aos poucos, como o Quatro Marcos, em Vila Rica, e ô Frialto, em Matupá e Sinop.

Vacari prevê problemas tanv-bém para os consumidores de Mato Grosso, por causa do pequeno número de empresas frigoríficas que sobraram nô_ Estado. Ele disse que a o cena? rio atual da crise financeira das pequenas empresas exige uma política pública, seja por parte do governo estadual ou federal, para preservar a concorrência? "Depois que o processo estiver consolidado será difícil reverter, como é o caso do Independência (em recuperação judicial), que não consegue retomar as atividades", disse. (AE).

( Jornal o Comércio - RS)

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