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Corretora revisa projeções para empresas de alimentos, com Marfrig como top pick.


A Bradesco Corretora atualizou suas projeções para as processadoras de alimentos, afirmando ter perspectivas positivas para o setor, especialmente porque o aumento dos preços das proteínas, aliado à queda do valor dos grãos, deve resultar em expansão de margens. Assim, a corretora espera que a performance operacional de todas as empresas dentro de seu universo de cobertura seja afetada favoravelmente.

Na tese de investimento, alguns fatores colaboram para essa visão otimista: o crescimento brasileiro em ritmo chinês, declaram Ricardo Boiati e Vitor Pini, responsáveis pela análise, e a exposição dessas empresas ao aumento do consumo são fatores positivos para as empresas, que compreendem Marfrig (MRFG3), Minerva (BEEF3), JBS (JBSS3) e BR Foods (BRFS3).

Além disso, as margens operacionais em alimentos processados são em geral mais altas e menos voláteis do que as apresentadas pelo setor de commodities. Nesse caso, a companhia que tem melhor posicionamento para se beneficiar desse cenário é a BR Foods, já que tem significativa participação de mercado na maioria das categorias com as suas marcas líderes, Sadia e Perdigão.

Riscos na fusão
A Brasil Foods, no entanto, tem classificação underperform (expectativa de performance 10% ou mais abaixo do Ibovespa nos próximos doze meses) pelo Bradesco. A explicação fica com o valuation não muito atraente e também com os riscos de restrições à fusão entre Sadia e Perdigão.

"As recomendações da Seae (Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda) foram muito restritivas em nossa visão, e mesmo a melhor alternativa sugerida teria impacto negativo na adição de valor da operação", apontam os analistas.

Mercado de carne in natura
Por outro lado, a Marfrig tem chances de ganhar terreno nesse segmento após a aquisição da Seara, embora ainda sejam necessários, na opinião do Bradesco, investimentos consideráveis antes que a Seara passe de uma exportador de carne in natura para um player forte na área de alimentos processados.

De qualquer modo, o Bradesco espera que os países em desenvolvimento continuem com a atual tendência de aumento do consumo de proteína, impulsionado principalmente por incremento de renda. "E isto não é positivo apenas para frango, que é a proteína mais barata, mas também para porco e boi", avalia a corretora.

E mesmo a crise europeia deve ter pouco impacto sobre o setor, já que o continente está perdendo espaço para os mercados emergentes como consumidora de carne. "O continente está se tornando cada vez menos relevante comparado aos países em desenvolvimento, e o consumo de comida costuma ser resiliente, mesmo em períodos de crise", apontam os analistas.

Top Pick
Nesse cenário, a top pick eleita pelo Bradesco é a Marfrig, que ainda apresenta valuation atrativo, embora a corretora tenha revisado para baixo as projeções para a empresa após a compra da Keystone Foods. Para os analistas, as vendas da companhia ficaram muito concentradas no McDonald's (cerca de 45%) após a aquisição, o que é um risco apesar da qualidade do canal de vendas.

A revisão do preço-alvo de R$ 31,70 para R$ 26,30 se deve também ao fato de que o Bradesco acredita que o guidance da companhia para 2010 não deve ser alcançado. "A empresa teria que reportar vendas mensais de R$ 1,475 milhão em média, nos próximos nove meses (37% acima da média para o primeiro trimestre), para alcançar o ponto mais baixo do guidance de receitas", aponta a corretora.

Assim, o Bradesco acredita que o resultado da Marfrig irá ficar 12% aquém das projeções propostas pela empresa. Ainda assim, a recomendação para as ações é de outperform (performance 10% ou mais superior ao Ibovespa). Em parte, isso se deve ao fato de que a Seara é uma oportunidade para transformar uma exportadora de proteína in natura para uma processadora de alimentos focada no mercado interno. A marca já tem bom reconhecimento, especialmente na classe C, mas ainda é necessário observar um aumento substancial de oferta no varejo dos produtos da companhia.

JBS: sinergias e distribuição direta
Por isso, a corretora responde a pergunta 'Por que ainda gostamos da Marfrig' com a afirmação de que a companhia oferece boa oportunidade de exposição ao cenário favorável exposto acima sem ter que pagar prêmios. Nesse caso, a referência é ao JBS, "que não está barata, especialmente se comparado a empresas do mesmo setor nos Estados Unidos".

Por outro lado, a companhia tem perspectivas favoráveis com a integração da Pilgrim's Pride e do Bertin, com sinergias totais de US$ 480 milhões por ano. Esse fator, aliado ao benefício da distribuição direta, justificam o prêmio pago. O Bradesco ainda cita a ampla plataforma de produção, especialmente em carne bovina, em países líderes, o que corrobora a classificação outperform para as ações da empresa.

Minerva: caso de desalavancagem
A última empresa no universo de cobertura é a Minerva. A companhia apresenta um caso que mistura desalavancagem com operação eficiente em carne bovina, além de um ativo de classe mundial de abastecimento: a joint venture Minerva-Dawn Farms. Assim, embora o endividamento seja alto, o perfil da dívida é confortável e o aumento na geração de caixa deve contribuir para que a empresa diminua sua alavancagem, concluem os analistas do Bradesco. A Minerva também tem classificação outperform.

(Portal Infomoney)



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