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Analistas voltam a rever estratégias.


Prevalecem as incertezas de curto prazo relacionadas aos riscos soberanos europeus.

O aumento da volatilidade dos mercados nos últimos dias de junho levou os analistas a reverem as estratégias das carteiras para este mês. A decisão é de reduzir a exposição aos setores cíclicos e aumentar as recomendações para ações mais defensivas, ou seja, que sofrem menor influência do cenário externo.
O motivo é a piora na percepção de risco dos investidores, frente às incertezas de curto prazo relacionadas aos riscos soberanos europeus e também, o resultado do chamado teste de estresse dos principais bancos europeus, o que tem influenciado negativamente o mercado doméstico.

Os economistas europeus do HSBC acreditam que a publicidade dos testes de estresse vai reduzir assimetria de informações. " No entanto, poderemos observar um aumento volatilidade caso os testes de estresse apresentem resultados muito insatisfatório", afirma o relatório do HSBC a cliente. O teste de estresse (com abertura banco a banco) par as principais instituições européias será anunciado ma segunda metade de julho. O relatório deve englobar os 25 principais bancos, além de dez bancos de médio porte.

Incertezas no exterior
O Ibovespa iniciou o mês de junho em tendência de baixa batendo a mínima mensal (61.182 pontos) no dia 7 de junho, e chegou a esboçar uma reação, voltando aos 64 mil no dia 15. No entanto, fechou o mês com perdas de 3,35% nos 60.936 pontos, passando a acumular queda de 11,16% no ano, mas alta de 18,40% em 12 meses.

As incertezas no exterior se refletiram no saldo negativo de capital externo na Bovespa. No ano até o dia 28 de junho, o déficit acumulado ficou em R$ 2,427 bilhões. A piora da percepção de risco do mercado, com relação ao impacto da crise européia, trouxe grande volatilidade aos mercados nos últimos pregões. Além disso, a divulgação dos indicadores antecedentes de atividade na Ásia e Estados Unidos, relativos aos meses de maior de junho, mostrou certa desaceleração na taxa de crescimento. Tal fato também contribuiu para a piora do humor dos mercados provocando novas correções nos preços de commodities.

"Elevamos a participação de setores um pouco mais defensivos e voltados para o mercado interno, por acreditarmos na manutenção da volatilidade dos mercados internacionais no curto prazo", ressalta o estrategista do HSBC envolve a redução á exposição aos setores cíclicos para dar maior prioridade às empresas com operações direcionadas ao cenário doméstico, dada à piora na percepção de risco e a continuidade da volatilidade nos mercados internacionais. "Acreditamos que a possibilidade de contaminação da economia real e dos fundamentos das empresas ainda baixa", comenta Nunes.

Diferente de 2008/2009
Esta tem sido a grande questão que perdura no desenrolar da crise fiscal européia. "A equipe econômica do HSBC não acredita que esta crise tenha elementos similares à crise de 2008/09 e portanto, dúvida da hipótese de que a atual contaminação dos mercados financeiros possa se tornar uma contaminação na economia real.

Caso a UE tenha sucesso em apresentar um plano sustentável de recuperação de longo prazo, recuperando a confiança dos investidores e o risco de contaminação econômica seja evitada, nossa equipe econômica acredita que o ajuste fiscal na região sairá do foco, uma vez que deverá ser equacionado ao longo  do tempo complementa o estrategista.

Humor em Wall Street
Na avaliação da equipe de análise do Banco do Brasil, a trajetória da bolsa brasileira em julho dependerá do humor em Wall Street, sobretudo do apetite dos investimentos externos. "O inicio das férias no hemisfério norte deve diminuir a liquidez, com um fluxo menor de capital externo para a bolsa brasileira. Além disso a divulgação dos resultados corporativos do segundo trimestre em julho adicionará volatilidade. Neste cenário de incertezas externas, aumentamos os pesos dos papéis considerados mais defensivos para a carteira de julho", afirmam.

A equipe de análise do Banco Bradesco se mostra mais otimista e mesmo com os "apesares" listados no relatório defende que independente da volatilidade, há espaço para uma recuperação. Também com um olhar mais otimista, os analistas do BTG Pactual lembram que depois de um mês fraco a ações brasileiras devem ser visualizadas como mais atraentes neste momento e citam que, mesmo diante das águas internacionais mais turbulentas pretendem aumentar a exposição das ações.

Já os analistas do Itaú Securities, ressaltam a preferência por uma carteira mais diversificada e com presença nos principais setores da economia, além de contar com pesos diferenciados para cada ação de acordo com o risco-retorno de cada uma delas.

Otimismo estrangeiro é maior
O Bank Of America Merrill Lynch se mostra bem mais otimista que as instituições brasileiras. A visão dos analistas da instituição é de que a tendência se mostra de ganhos no médio prazo.

"Apesar das incertezas de curto prazo, mantemos a nossa meta de 12 meses de 81.000 para o Ibovespa" diz o relatório divulgado pela instituição. Os ganhos serão liderados pelos setores domésticos.

O Morgan Stanley divulgou nesta quinta-feira seu relatório que envolve as dez top pinks (maior potencial de valorização) na América Latina para o mês de julho. Dentre as empresas listadas, seis são brasileiras: Vale, MMX, OGX, Brasil Brokers, Santander e Industrias Romi. Dentre as nacionais as únicas companhias que ainda não estavam presentes nas preferências do banco no ultimo mês eram Brasil Brokers e Romi.

O critério para incluí-las foi praticamente o mesmo: fraco desempenho das ações e múltiplos atrativos frente aos seus pares. Já CCR e Weg que faziam parte das top pinks do banco ao para o mês de junho, foram removidas da carteira de julho. Além das companhias brasileiras, o Morgan Stanley destacou as empresas mexicanas Homex, America Movil e Banorte, além da Copa Airlines.

(Jornal Monitor Mercantil - SP)



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