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Porta de entrada á francesa para a indústria brasileira.


França atrai companhias verde-amarelas com incentivos ficais e expectativas de exportação para a Europa.

Carolina Alves de Paris
calves@brasileconomico.com.br

Se não pode com eles, junte-se a eles. Frente á dificuldade que empresas brasileiras encontram para ingressar no cobiçado e protegido mercado europeu, um simples ditado se torna uma eficiente estratégia. Se por um lado a entrada é dificultada por leis fitossanitárias, que favorecem o produtor local contra a concorrência estrangeira, empresas brasileiras tem conseguido driblar cada vez mais essa barreira.

As maiores, como a Marfrig e BR Foods, ingressam por meio de aquisições. Já as empresas de menor porte podem acessar um mercado de 550 milhões de consumidores com poder aquisitivo três vezes maior que os brasileiros por outros meios.

Esse foi o caso da cooperativa Cooparaíso, que recentemente começou a produzir café torrado e moído para a França, em parceira com a cooperativa local Agrial. A Cooparaíso vende café em grão para o Brasil e para mais 20 países, mas adotou a estratégias de comercializar um produto já beneficiado para atender ás demandas do mercado francês.

"As barreiras são grandes, mas conseguimos driblá-las sem incomodar os grandes produtores da região", afirma o diretor de comercialização de café da Cooparaíso, Paulo Sérgio Elias. Presente em 142 lojas na frança, a partir de agosto a cooperativa estará presente em mais de 147 estabelecimentos. Desta forma, a exportação para o país passará das atuais 17,6 toneladas para 80 toneladas este ano.

" O Brasil precisa agregar valor aos seus produtos primários para ampliar penetração em um dos principais mercados globais, a Europa, e chegar á quinta maior potência mundial, como almeja o governo",afirma Philippe Lecourtier, presidente do conselho administrativo da câmara Brasileira de Comércio na França e embaixador da França no Brasil durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, entre 1995 e 2000.

Segundo ele, o mercado francês se torna uma porta de acesso a novas tecnologias. "Nos últimos anos, a França flexibilizou sua legislação e criou incentivos fiscais na área de desenvolvimento de pesquisa", destaca. Desta forma, os custos com criação de produtos de maior valor agregado são reduzidos. O governo pode subsidiar 50% dos custos das companhias com desenvolvimento de pesquisa no primeiro ano, porcentagem que cai para 40% no segundo e 30% nos demais.

Outras medidas de incentivos ao capital estrangeiro é a redução de impostos sobre os investimentos produtivos, válidas desde janeiro deste ano. A expectativa é de que a iniciativa reduza em ? 5 bilhões por ano a carga tributaria das companhias instaladas na França.

Com base nesse ambiente de incentivos, três subsidiárias brasileiras nas França devem realizar  este ano um projeto de expansão dos negócios locais, segundo David Appia, presidente da Agence Française pourles Investiments Internationaux (AFII), agência de fomento.

Presença brasileira 
Alçando vôo
Há 27 anos na França, a filial da Embraer trabalha com 19 linhas aéreas em 14 países. A subsidiária se tornou a principal fornecedora da Air Frances, que esta semana passou a utilizar somente aviões da marca nos vôos locais. " Tivemos muitos pedidos postergados em 2009, mas já sentimos retomadas de demanda para 2010", afirma o presidente Luiz Fernando Fuchs.

Nova moda
Com preços que variam entre ?16 e ?160m a Alpargatas vende mais de 250 modelos diferentes na Europa. Dentre ele, o tênis Havaianas, desenvolvidos para atender uma demanda local.

"Na Europa não é verão o ano inteiro, então fizemos um modelo para ser utilizado também durante o inverno", explica o presidente da filial francesa, Hervé Pinot.

(Jornal Brasil Econômico)

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