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Walmart lança Carne rastreada


Oferecer carne rastreada, com garantia de origem, para o consumidor brasi¬leiro, é uma das estratégias da Walmart para colocar em prática o conceito de sustentabilidade, peça-chave de sua política corporativa. Durante o Fórum de Varejo 2010, realizado dia 11 de agosto, em São Paulo, a rede de supermercados, com mais de 8.500 lojas no mundo, das quais 447 no Brasil lançou o Programa Qualidade Selecionada, Origem Garantida, que visa a oferecer produtos agropecuários rastreados e tem como projeto-piloto a carne Campeiro Novilho Jovem, marca própria, com seis cortes para churrasco (picanha, maminha, fraldinha, filé mignon, contrafilé e noix). Produzida no Rio Grande do Sul e comercializada em oito lojas de São Paulo, a Campeiro traz um código de barras na embalagem, que, ao ser digitado em um sistema de busca no site do Walmart, permite ao consumidor obter informações sobre o animal que deu origem àquela carne.

Para abastecimento da marca, estão sendo abatidos entre 300 e 500 novilhos por semana, nas plantas frigoríficas de Bagé e Pelotas, pertencentes ao Marfrig, parceiro da rede varejista no projeto. Segundo informou o presidente do Walmart, Hec-tor Núnez, durante entrevista, em São Paulo, a empresa comercializa 3.000 toneladas de carne bovina/mês e rastreia apenas 50 toneladas, 1,5% de seu volume total, mas a intenção é chegar a 100%, dentro de um determinado prazo ainda não definido. A escolha da carne para inaugurar o Programa de Qualidade Selecionada, Origem Garantida deve-se, segundo Núnez, à necessidade de monitorar o produto por meio da rastreabilidade, assegurando ao  consumidor que ele não procede de áreas de desmatamento ilegal, de fazendas embargadas por órgãos ambientais ou ligadas ao trabalho escravo.

O Walmart firmou em 2009 o "Pacto pela Sustentabilidade", pelo qual se compromete a não comprar produtos de empresas envolvidas com irregularidades socioambientais. "Nossos fornecedores precisam se adequar. Tomamos decisões duras e difíceis, no ano passado. Mas asseguro que não vamos comprar carne de nenhum frigorífico que abate gado proveniente de fazendas envolvidas com o desmatamento da Amazônia", afirma Núnez. Segundo ele, a estratégia de Sustentabilidade da empresa não se limita a aperfeiçoar operações próprias e reduzir seus impactos diretos, mas visa a construir parcerias que possibilitem obter resultados duradouros. O Walmart é a segunda grande rede de supermercados a ofertar carne rastreada no País. Em junho, o Pão de Açúcar apresentou seu sistema, durante a Feicorte, inicialmente envolvendo apenas cortes da marca própria Taeq, alimentada pelo Programa Rubia Gallega.

O Walmart optou por não trabalhar, na Campeiro, com uma raça específica, mas a marca é abastecida principal mente com animais de sangue britânico, predominantes nos pampas gaúchos. São bovinos abatidos aos 3 anos, com cerca de 16-17 e bom acabamento de carcaça (cobertura de gordura mediana acima, ou seja, entre 4 e 6 mm de espessura). Já foram cadastradas como potenciais fornecedoras da marca cerca de 72 propriedades. Elas receberam um número de identificação e forneceram informações sobre seu rebanho, controles sanitários, manejo alimentar etc. "Cadastramos somente pecuaristas com bom gerenciamento da produção, que respeitam as normas ambientais e têm perfil adequado para fornecer ao Walmart", explica Leonel Martins Almeida, gerente de pecuária do Marfrig.

Para participar do projeto, os produtores não precisam estar filiados ao Sisbov-Serviço Brasileiro de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos. O importante é que os animais portem brincos com o número de identificação da fazenda e que as informações sobre sua ori-gem, em caso de aquisição por terceiros, sejam registradas. A partir de setembro, os abates serão realizados também nas plantas de Goiás e Mato Grosso do Sul, para possibilitar a ampliação da oferta do produto e sua comercialização fora de São Paulo até o final do ano. No Centro Oeste também será dada preferência a animais provenientes de cruzamento industrial com raças britânicas, para se manter o padrão da marca, que pode ser classificada como premium. Dentre as grifes de carne tipo grill existentes no mercado, a Campeiro tem preço um pouco abaixo, por exemplo, da linha Bassi.

O Marfrig precisou adaptar a logística industrial de suas plantas de Bagé e Pelotas para garantir que as informações sobre o fornecedor sejam transferidas para a carcaça, por meio de uma etiqueta, e desta para os cortes. O processo é auditado pela Checkplant, empresa gaúcha criada por pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas em associação com profissionais da área de tecnologia da informação. Essa empresa, com experiência na padronização de processos e rastreabilidade em fazendas produtoras de frutas, gera os códigos de barra e mantém o serviço de verificação de origem do produto, disponível na página www.walmart.rastreabili-dadeonline.com.br. Ao digitar o código no espaço indicado, o consumidor obtém o nome do fornecedor da carne, de sua propriedade, do município onde ela está localizada e do frigorífico onde o animal foi abatido. A primeira fazenda a participar do projeto foi a Estância Santa Maria, de Alcebíades Jacinto Pereira Filho, tradicional selecionador de Hereford, em Bagé, RS, e produtor de novilhos precoces dessa raça.
GADO LEGAL - Segundo Leonel Almeida, a parceria do Walmart com pecuaristas integra-se ao Programa Gado Legal, que prevê a rastreabilidade de 100% da carne produzida pelo grupo até meados de 2011. "No final de setembro pretendemos iniciar o pro cesso em Goiás", informa o gerente de pecuária do Marfrig, que monitora os seus fornecedores de gado quanto à presença na lista suja do Ibama e do Ministério do Trabalho, contando com auditoria de empresa independente. Nos próximos meses, a carne dos animais rastreados será identificada com o selo Gado Legal, a ser impresso nos cortes.

Segundo Walter Scheufler, gerente de marketing do segmento de bovinos do Marfrig, "as pessoas estão cada vez mais informadas e preocupadas com a origem dos produtos. Por isso, é importante que o trabalho realizado na ponta incial da cadeia produtiva seja apoiado pelo varejo", diz.

(Revista DBO, Setembro)


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