Menu Interno


Indústria focará nas integrações e em margens


Após um intenso movimento de consolidação ocorrido nos últimos anos, a indústria de carnes aproveitará 2011 para cuidar da 'própria casa. As empresas deverão priorizar as integrações das companhias recentemente adquiridas para obter ganhos de sinergias e economia de escala, já que o ambiente está altamente competitivo. Outro desafio do setor é a busca por melhoria de margens, que estão sendo afetadas pela alta do custo de produção devido às valorizações dos preços dos insumos.

O presidente da Marfrig Alimentos, Marcos Molina dos Santos, tem afirmado desde os resultados do segundo trimestre de 2010 que este ano será de crescimento orgânico e centralização dos esforços nas integrações das compras recentes, como Seara e Keystone Foods. Não temos nenhuma compra prevista. Estamos focados em pegar todas as sinergias das empresas que adquirimos e também seguir com crescimento orgânico, ressaltou.

Com a Keystone, a Marfrig pretende atingir 35% da receita projetada de R$ 28,9 bilhões em 2011 - conforme consenso de mercado - oriunda de vendas de produtos industrializados. Com o aumento da fatia desses produtos na receita total, a empresa tentará driblar a pressão das margens por causa da alta dos custos, já que são produtos de maior valor agregado e há mais 'espaço para o repasse ao preço final. Em 2010, o mercado projeta receita líquida de R$ 16,5 bilhões.

A BRF - Brasil Foods é outra companhia que focará nas integrações de atividades - no caso, com a Sadia - embora seu futuro ainda esteja nas mãos do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que precisa dar o aval final da fusão das duas companhias. O presidente da empresa, José Antonio Fay, disse que o impasse do Cade atrapalha, mas não paralisa as operações das companhias. 'A autorização para a fusão em 2011 é questão de necessidade. Entendemos que o processo é complexo, mas o anúncio (da fusão) já vai fazer dois anos e o tempo que passou é mais que suficiente para analisar todas as complexidades da fusão, disse o executivo na última reunião com analistas, investidores e jornalistas, realizada em novembro passado.

A BRF - Brasil Foods é outra companhia que focará nas integrações de atividades - no caso, com a Sadia - embora seu futuro ainda esteja nas mãos do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que precisa dar o aval final da fusão das duas companhias. O presidente da empresa, José Antonio Fay, disse que o impasse do Cade atrapalha, mas não paralisa as operações das companhias. 'A autorização para a fusão em 2011 é questão de necessidade. Entendemos que o processo é complexo, mas o anúncio (da fusão) já vai fazer dois anos e o tempo que passou é mais que suficiente para analisar todas as complexidades da fuSegundo Fay, a BRF está unificando os dois sistemas de tecnologia da informação e preparando também a integração do sistema de faturamento, além do mapeamento das sinergias. O guidance para 2010 é de R$ 100 milhões em ganhos em sinergias, mas com despesas de R$ 100 milhões, o que deverá compensar um ao outro. Já a partir de 2012, serão capturados integralmente R$ 500 milhões anuais com a fusão, além de ganhos tributários. Essa captura integral também nos dará uma ampliação de 1,5 ponto porcentual em margem Ebitda, disse Fay.ão, disse o executivo na última reunião com analistas, investidores e jornalistas, realizada em novembro passado.

A companhia ainda projeta alta entre 10% e 12% para o faturamento em 2011, pautada principalmente em crescimento orgânico do mercado doméstico, que continuará sendo beneficiado pelo crescimento da renda, resultando na maior demanda por produtos processados. Sobre investimentos, o aporte da BRF para 2011 será entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,4 bilhão, com mais R$ 400 milhões sem matrizes. Precisamos ainda detectar melhor as oportunidades de crescimento. Mas temos consciência de que é necessário fazer um bom investimento em 2011 para garantir o crescimento de 2013, afirmou Fay.

Na contramão

Ao contrário dos seus concorrentes, na época do auge do movimento de consolidação do setor, o frigorífico Minerva optou por investir em projetos greenfield (desde a planta) e apostou no crescimento orgânico. Por causa disso, conseguiu manter seu nível de alavancagem baixo, em situação oposta ao da JBS e Marfrig, e enxerga para 2011 oportunidades de crescimento via aquisições. Ha três anos os investimentos em greenfield eram muito mais baratos do que aquisições. Hoje isso está se invertendo. Também há recuperação substancial de crédito, diminuindo os obstáculos para captação de recursos, disse o presidente da companhia, Fernando Galletti de Queiroz.

Segundo ele, atualmente, há 12 empresas do setor em recuperação judicial no País. Fábrica tem para escolher. Além disso, se os meus concorrentes tiverem juízo, não comprarão mais nada, já que estão enfrentando grandes desafios de integração e estão bem alavancados, ao contrário do Minerva, completou.

O grupo JBS que, desde a abertura de capital, nunca passou um ano sem fazer aquisições, entende que 2011 será um ano de busca de sinergias das empresas recém-adquiridas. Porém, não descarta novas compras. Teremos a captura dos ganhos da completa integração de Pilgrims Pride e Bertin e temos trabalho a fazer em distribuição. Portanto, a não ser que façamos uma ou outra aquisição, 2011 será um ano de crescimento orgânico, disse o presidente do grupo, Joesley Mendonça Batista, em reunião com analistas e investidores. A empresa espera sinergias totais de R$ 485 milhões (Bertin) e US$ 220 milhões (Pilgrims Pride) nos próximos anos.

Estratégias e margens

As companhias buscarão estratégias para preservação de margens e competitividade tanto no mercado doméstico quanto no exterior. Segundo o analista da Spinelli Corretora, Max Bueno, uma das ações que será intensificada em 2011 é a proximidade do consumidor final. Haverá uma ampliação forte de investimentos nas redes de distribuição própria, para evitar os intermediários, com foco no varejo. JBS, Marfrig e Minerva são exemplos disso e a BRF - Brasil Foods, que já têm uma extensa capilaridade, deverá melhorar e replicar suas plataformas em regiões nas quais ainda têm deficiência, diz Bueno.

A JBS possui uma meta agressiva em distribuição, área na qual já estava trabalhando, atenta às oportunidades do mercado interno e de aumento de vendas. A empresa quer chegar nos próximos dois a três anos em 1 milhão de clientes e passar dos 20% da receita oriunda da venda direta para 50% no mesmo período No terceiro trimestre, a base de clientes da JBS era de 350 mil, aumento de 15,3% em relação ao segundo trimestre.

A BRF pretende replicar o modelo de distribuição empregado no Brasil em outros países nos quais está presente, seja com o modelo utilizado no País ou por aquisição de alguma empresa com atuação no segmento. Fay afirma que o modelo atual é forte, robusto e fragmentado e que, dos 120 mil clientes atendidos diretamente pela companhia, nenhum representa mais do que 3% da receita total, o que mostra a independência e diversificação da carteira de clientes. Na Argentina, Chile, Europa e Oriente Médio, mais especificamente Arábia Saudita, já temos uma penetração no varejo semelhante à que temos aqui, disse.

Para que isso ocorra, a BRF utilizará a própria geração de caixa e não haverá necessidade de acessar o mercado. Já na questão de crescimento não orgânico, como uma eventual aquisição, a origem dos recursos será avaliada caso a caso. (Jornal Cruzeiro do Sul, Comicda, SP, 03/01/2011)



Voltar