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Produtos e Mercados


A melhora no poder de compra da população está modificando lentamente o perfil da criação, produção e consumo de peru no Brasil. A maior parte das vendas ainda é concentrada no Natal e em outras datas festivas, porém, os produtos derivados tornaram-se permanentes nas gôndolas dos supermercados. "O peru faz parte da lenda natalina, mas, à medida que o bolso da população ficou um pouco mais cheio, o consumo de embutidos light foi incrementado, e as empresas também passaram a concentrar força na industrialização", afirma Domingos Martins, presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Agrícolas do Paraná (Sindiavipar), estado que é o maior produtor da ave no Brasil em 2009, foram abatidos por lá 20,2 milhões de cabeças. Segundo Martins, alavanca ainda mais os negócios o conceito firmado na opinião pública de que os derivados fazem bem à saúde. "Assim como o frango, o peru não carrega o estigma de prejudicar a saúde, o que faz o setor acreditar que a demanda vai crescer nos próximos anos."

No rastro desse cenário promissor, empresas tradicionais que trabalham com carnes de boi e de frango, entre outras, abrem novos departamentos ou adquirem indústrias produtoras de peru. É o caso da Marfrig, que comprou a Seara, no ano passado, e acredita num crescimento "lento, grande e contínuo" da atividade. Mayr Bonassi, diretor geral do grupo, concorda sem ressalvas com o horizonte traçado por Domingos Martins, do Sindiavipar, acrescentando que o consumo de carne de peru, que ainda é baixo no Brasil, um quilo per  capita, tende a subir e empatar com o de países europeus e dos Estados Unidos, cuja média é de cerca de sete quilos por habitante ao ano. "O brasileiro já come perto de 40 quilos de carne de boi e de frango.

Quando esse nível é atingido, é normal, por analogia com outros países, que ele se volte para o peru e os suínos. Além disso, é inegável que, com o bolso mais recheado, o brasileiro ceda ao apelo da alimentação saudável", diz Bonassi.  Segundo ele, mesmo se não mudar totalmente o tipo de carne do cardápio, é certo que o consumidor vai procurar diversificar as proteínas e optar também pela carne de peru e seus derivados, os quais mesclam saudabilidade e sabor. "Os frios, o peru defumado e outros embutidos são os alimentos cujo consumo mais cresce no mundo inteiro," Em maio deste ano, a Marfrig tinha capacidade para abate de 30 mil perus ao dia. A compra da Seara, em 2009, marcou sua entrada no mercado de carne de peru, seguindo a estratégia do grupo de diversificação em proteínas e ampliação do portfólio de produtos.

Domingos Martins, do Sindiavipar, informa ainda que historicamente o peru de Natal é mais caro e dirigido a um nicho um pouco restrito de mercado, ao contrário dos industrializados, que, ao se disseminarem, ficaram mais acessíveis. O dirigente observa, no entanto, que nos últimos anos as "aves de festa", entre elas o peru assado, têm aumentado a presença nas mesas dos brasileiros entre 10% e 15% a cada ano. É um número expressivo. Atesta, na opinião dele, o incremento na capacidade de compra da população.  E a fatia maior da produção brasileira é consumida internamente. Conforme dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), no ano passado foram produzidos 44,11 milhões de cabeças, número que se traduz em 466,29 mil toneladas. Deste total, 302,71 mil toneladas tiveram por endereço as gôndolas nacionais, 20,23% a mais que as 251,78 mil toneladas de 2008. Segundo a União Brasileira de Avicultura, o mercado interno salvou o setor em 2009, já que as exportações apresentaram queda, devido à crise econômica no mundo. De acordo com o Mapa, em 2009 foram exportadas 163,58 mil toneladas, saldo 19,92% menor em relação as 204,27 mil toneladas de 2008.

E em 2010? Domingos Martins acredita num incremento pequeno na produção em comparação ao ano anterior, com o consumo interno novamente prevalecendo no confronto com as exportações. Ele observa que são expectativas, visto que há muita dificuldade para se obter números sobre a produção de perus no Brasil.

O certo é que a produção nacional acumula altas consecutivas e significativas. Em 2005, foram para abate cerca de 37 milhões de cabeças.

Apenas quatro anos depois, houve um salto para 44,1 milhões de aves, ou seja, num período curto de tempo, mais de 7 milhões de cabeças foram abatidas. Houve um incremento de quase 30% no total produzido a cada ano, sendo que, no mesmo período, o mercado interno cresceu 52%. Outra mudança que ocorre no cenário da criação de perus é a migração ainda em pequena escala da atividade pára estados do Centro-Oeste, como Goiás e Mato Grosso, em busca do milho e da soja fartos e mais baratos. E no próprio Paraná o abate tem diminuído desde 2009. A Sadia, por exemplo de longe a maior produtora do Brasil, chegou a suspender a produção em Carambeí, então um forte produtor de perus. Naquele ano, a empresa explicou que transferiria a produção para o Centro-Oeste devido à maior competitividade dos preços dos grãos usados na ração das aves. Os criadores de Carambeí foram incentivados a mudar a atividade para o frango. Em sentido oposto, Francisco Beltrão, outra cidade paranaense, acelera a criação de perus, e novos aviários surgem a cada dia, conforme apurado com a prefeitura local. O município aposta no crescimento dos aviários, dando fundamento à opinião do presidente do Sindiavipar, que não classifica as transferências das granjas para a Região Centro-Oeste como uma tendência.

(Revista Globo Rural, Produtos & Mercados/SP Dezembro. 10)


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