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Carne de grife vendida por telefone e pela internet.


Dono do Varanda, reduto de empresários e políticos, cria um serviço para atender à demanda dos novos gourmets.

Logo após a assinatura do contrato da fusão entre Sadia e Perdigão, em maio do ano passado, Nildemar Secches e Luiz Fernando Furlan celebraram o acordo com um vinho shiraz australiano acompanhado de bife de tira em uma das mesas do restaurante Varanda Grill, no Jardim Paulista. Secches é um dos clientes habituais do lugar, conhecido pela qualidade da carne e pela clientela, formada principalmente por empresários e políticos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador eleito Aécio Neves já estiveram por lá. O restaurante também entra na lista dos mais frequentados por Fernando Henrique Cardoso e pelo jogador Ronaldo Fenômeno.

Fundado há 12 anos por Sylvio Lazzarini Netto, o Varanda é o negócio de maior visibilidade do empresário. Mas foi a outra empresa de Lazzarini, a Intermezzo Gourmet - fornecedora de cortes especiais para restaurantes -, que este ano recebeu sócios, uma injeção de capital e se preparou para atuar em uma nova área: vender para o consumidor final. A empresa, que hoje fornece carne embalada em porções para mais de 200 restaurantes - entre eles Fasano, Gero e as casas de Alex Atala - começou a oferecer também os cortes de carnes nobres por telefone e está em fase final de desenvolvimento de um site de vendas online.

Para a empreitada, a Intermezzo criou uma estrutura com conselho de administração e acordo de acionistas. "Isso é resultado da influência da entrada de sócios ligados ao mercado financeiro", diz Gustavo Barreira, diretor financeiro da empresa e ex-executivo da Votorantim Celulose e Papel.

A perspectiva da companhia é que as vendas para o consumidor final representem 30% do volume total até 2012. "Esse negócio era um cavalo de corrida que eu tinha de segurar. Todo dia um cliente me perguntava se eu não vendia os cortes do restaurante para ele fazer um churrasco", diz Lazzarini. O faturamento previsto para 2011 é de R$ 18 milhões.

Walter Scheufler, gerente de marketing da divisão Bovinos Brasil e Food Service da Marfrig - dona das marcas Montana e Bassi -, diz que por muito tempo a carne foi tratada como commodity. "Mas o aumento de renda, a sofisticação da pecuária no País e um mercado gourmet crescente ajudaram a difundir o conceito das marcas premium e a ampliar a comercialização desse tipo de carne", diz Scheufler. As marcas da Marfrig estão à venda em supermercados.

Exigência. Para István Wessel, da Wessel, a expansão do mercado é evidente. "A exigência do consumidor brasileiro aumentou e redes que não compravam cortes especiais passaram a comprar e a expor nossa marca", afirma Wessel, que fornece hoje para cerca de 850 restaurantes - do Fasano à rede Spoleto - e está presente no varejo em redes como Walmart e Pão de Açúcar.

Nascido em uma família que trabalha com carnes há cinco gerações, Wessel cita ainda um outro motivo que parece trivial, mas que tem sido de grande importância para a consolidação do mercado. "O hábito de se fazer churrasco é cada vez mais frequente no País." Lazzarini dá ainda outra razão para o aumento do consumo de carnes nobres. "De cada dez empreendimentos imobiliários lançados, nove têm o chamado espaço gourmet."

(Jornal O Estado de S. Paulo, Negócios/SP)

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