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O mundo é o limite


A ambição de crescer e aparecer internacionalmente é o que torna a Marfrig um caso exemplar para outras empresas brasileiras.

Se você é dos que se divertiram com o anúncio em que os jogadores de futebol Robinho, Neymar e Ganso dançam o hit da Lady Gaga "All the Single Ladies", provavelmente prestou atenção no fato de a Seara ser uma das patrocinadoras da Copa do Mundo da África do Sul. (Foi quando, mesmo sem ser uma Visa ou uma Coca-Cola, essa marca brasileira "entrou" nos mais diversos lares do mundo).

Se atentou a esse fato, o leitor também pode ter reparado, mais ou menos na mesma época, que o dono da Seara, o grupo Marfrig, arrematou, por US$ 1,26 bilhão, a Keystone Foods, empresa de US$ 6,4 bilhões que fornece carnes a mais de 28 mil restaurantes fast food de 13 países, incluindo o Oriente Médio e a Ásia como um todo. (Entre esses restaurantes, está ninguém menos do que McDonald's).

Se observou esse segundo fato, o leitor já entendeu tudo: estamos diante de um caso fenomenal de crescimento internacional e de construção de marca de ambição mundial. (O que, além do ganho de escala em si, vai na contramão das commodities tão características do setor alimentício brasileiro do passado recente e também liberta a empresa das barreiras, sanitárias e tarifárias, que os diversos países costumam levantar a alimentos de origem brasileira, especialmente carnes).

Composta por 93 plantas industriais e escritórios na América do Sul, América do Norte, Ásia, África e Europa, e 73 mil funcionários e com uma receita de R$ 10,29 bilhões em 2009 (que deve saltar para R$ 28 bilhões em 2010), a Marfrig já é considerada uma das companhias mais internacionalizadas do Brasil. Seus produtos já são comercializados em mais de 100 destinos mundiais e, das 38 aquisições que fez nos três últimos anos, a maior parte foi no exterior. Ela e as outras duas gigantes de seu setor, JBS Friboi e BR Foods (Sadia e Perdigão), parecem liderar o caminho empresarial inverso ao que aconteceu nos últimos 50 anos, quando multinacionais estrangeiras vinham instalar-se no Brasil.

Se há riscos nessa internacionalização acelerada? Sim, a começar pelo risco de um crescimento ultra-rápido -ela faturava cerca de R$ 3 bilhões em 2007- e de as sinergias potenciais das aquisições não se concretizarem, o que pode ter deixado os investidores das ações Marfrig de sobreaviso. Mas, embora diversificada, a empresa norteia seu crescimento por um foco de mercado claro, o que é tomado como um bom sinal estratégico: basear-se em proteínas animais e vendê-las com maior valor agregado ao varejo.
Know-how de aquisições com estratégia.

Fica difícil imaginar que a história da Marfrig começou com um menino de 12 anos de idade que trabalhava em um açougue no interior de São Paulo. Sim, Marcos Antonio Molina dos Santos trabalhava no açougue do pai, na cidade de Mogi Guaçu, e levava tanto jeito para a coisa que, emancipado aos 16 anos, abriu sua própria empresa de distribuição de carnes. Dois anos depois, ele já estava estabelecido como um importante distribuidor de cortes bovinos, suínos, aves e pescados no Estado de São Paulo inteiro, além de vegetais congelados importados, incluía renomados restaurantes em sua clientela. Parece história da carochinha.

O fato é que, em 1998, Molina iniciava as atividades de seu primeiro centro de distribuição em Santo André (SP) para atender à crescente demanda de produtos e, em 2000, com sócios, constituía finalmente a Marfrig Frigoríficos e Comércio de Alimentos. O negócio de exportação foi criado no ano seguinte e, desde então, Molina não parou mais de ir às compras -em um ritmo frenético de quase uma aquisição de empresa por mês.

Hoje, no portfólio de marcas Marfrig, encontram-se nomes fortes dos alimentos, como Seara, Mabella, Dagranja e Pena Branca, mas a empresa não se restringe ao setor de alimentos. Em janeiro de 2010, concluiu a aquisição de 51% do grupo Zenda, uruguaio, que vende couros acabados e cortados para as indústrias automobilística e de aviação, com capacidade diária de produção de até 7.000 couros e unidades na Argentina, México, Estados Unidos, Alemanha, África do Sul, Chile, Hong Kong e China.

Marcos Molina dos Santos, com 40 anos de idade, é o presidente do conselho de administração e, desde a constituição da companhia, atua como seu CEO. Atualmente, a diretoria do grupo é formada por quatro membros, com mandato de três anos, sendo permitida a reeleição: além do CEO, há um diretor administrativo e financeiro, um diretor operacional, um diretor de planejamento e relação com investidores.

(Portal HSM)

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